Como explicar o inexplicável

Ou: Meu desabafo do motivo por termos escolhido este lado

Sei (e cá no fundo espero) que pouca gente vai ler isto.

Difícil (e estou muito cansada disso) é dar satisfação para sociedade. Mas como fico com essa coisa martelando na minha cabeça, decidi vir aqui para isso. 

Porque é muito difícil explicar o óbvio para muita gente.

Escrevi isso para não ter que me explicar para os prováveis questionamentos que surgirão pois dentro de mim, terei este texto como resposta.

Ainda (e provavelmente) que nem sequer dirija o olhar ao inquisidor. 

Mas… aqui é minha casa….

Minha casa.. Minhas regras… e me senti no dever.. E também no ímpeto de colocar para fora tudo o que vai aqui na minha cabeça e no meu coração,  depois desses dias turbulentos.. e truculentos… e misógino… e homofóbico… e xenofóbico.. e racista…e ecocida… e infelizmente uma lista interminável de adjetivos pesados e funestos. 

E do resultado das urnas de ontem.

De novo.. Não sou expert, nem especialista, nem estudiosa do assunto.

E justamente, por não ser nada disso, quando procuro entender alguma coisa, busco quem entende.

Quem me conhece sabe um pouquinho do meu modus operandi.

Queira ou não, tenho uma base científica de formação, então isso fica arraigado na gente.

Lógico que leio bobeira e fico horas nas mídias sociais para esse fim,  mas quando procuro a verdade, ouço e leio gente que faz isso por carreira, por profissão, por modo de vida. Que incorpora a verdade na sua vida e faz disso sua batalha diária. 

Então me atualizo em e através de jornalistas e jornais renomados, conceituados e com bagagem e experiência. Gente que trabalha e trabalhou com isso. Cientistas políticos, historiadores e gente técnica. 

Postagem de Instagram, Tik Tok e Facebook é só para me divertir. Se bem que ultimamente é para passar raiva também. Pode ser chamariz para uma matéria mais robusta, mas não um vídeo ou uma foto que encerra a verdade em si.

Assim como faço com a minha profissão, apesar de não ser a paixão da minha vida, é minha obrigação, aplicar o que for real, o que for mais atual em termos de legislação e contextualizar dentro da minha experiência de mais de 35 anos atuando na área. 

 

Por esta minha experiência, defendo com unhas e dentes o SUS, mesmo com suas imperfeições. Tive uma professora extraordinária. Ferrenha defensora, que usou nela mesma os preceitos do SUS, padecendo infelizmente, depois de uma dura batalha, sendo cuidada no fim,  por quem ela cuidou a vida inteira. 

Poderia, mas não usou convênio médico, dizendo até o fim da vida, que se ela defendia essa bandeira, ela mesma não poderia deixar de acreditar nos sistema. 

Na pandemia de Covid-19 recente, enquanto muitos estavam protegidos, dentro de suas casas, ou ainda nos escritórios, eu e mais um batalhão de trabalhadores estávamos lá na linha de frente. 

Paramentados, quase sem poder se mexer e respirar,  principalmente, com o sentimento de sufocação por dentro. De medo, de angústia, de incerteza, de não trazermos o vírus para dentro de casa e contaminarmos a nós e a nossos entes queridos. 

Graças a Deus, saí do outro lado e não tive parentes muito próximos falecendo da doença, exceto uma tia… mas sei que isso não foi infelizmente a realidade de muitas famílias… e de 700 mil mortos…mas sei que sou uma exceção. 

 

Falemos sobre Educação. 

Conseguimos dar uma educação, não extraordinária, mas razoável, para Júlia. Estudou em escola particular a vida inteira. Não A melhor, mas uma razoável, que coubesse dentro do meu salário.

Mas, escolheu uma profissão seletiva, onde nem todos os cursos existentes eram (ou estavam) na exigência de qualidade almejada por ela.

Por isso, por esforço próprio estudou, escolheu o melhor curso na área e conseguiu se graduar.

Numa Instituição Federal.

Foram anos sozinha, tendo que se virar desde com sua alimentação e moradia e obviamente com a própria graduação.

Sabemos de todos os percalços e perdas que tivemos também nesta área.

O sonho dela era ter feito uma graduação sanduíche, ou uma extensão lá fora… mas … de novo.. Verbas foram cortadas… incontáveis bolsas, teses de mestrado e doutorado e pesquisas científicas foram suspensas.

E ouvir algo como: “Ciência prá que?? Eu nunca vi algo de útil sendo aplicado pela ciência”. É simplesmente assustador e inacreditável. Como foram tantas e tantas falas parecidas, ouvidas ao longo destes quatro anos intermináveis…

 

Não sei, mas se você chegou até aqui, deve saber que somos do Ecoturismo certo??

Questões ambientais prá gente fazem parte totalmente da nossa vida.

Já contei em outros posts, mas basicamente, o que a gente ganha é para viajar, guardadas as necessidades básicas, claro. 

Todo o excedente (quando acontece) fica para gastos com viagem. Na Natureza. 

E vivemos essa vida há pelo menos 25 anos. Nós dois nos conhecemos assim, fazendo viagens na Natureza e criamos um ser humano dentro desse Universo.

Imagina então, como foi e tem sido a gente assistir as cenas de destruição dos nossos biomas. 

Ouvir um ministro do meio ambiente “passar a boiada”, enquanto todos se preocupavam com a Covid para mudar o regramento ambiental, para afrouxar as leis ambientais. 

Ver e ouvir relatos dos meus amigos, de gente que a gente conheceu, de lugares que nós visitamos, sobre destruição e morte??? De ameaças de morte, de garimpo ilegal, de extrativismo??

De novo, não são vídeos aleatórios de mídias sociais, sabendo-se lá qual foi a montagem e edição de fotos e vídeos?

É lugar que nós visitamos, gente que nós conhecemos, contando esses relatos de terror indescritível. 

 

Eu poderia falar de todos os aspectos desses quatro anos de terror, da economia, de política externa, mas estes são os 3 pontos básicos, para eu não me alongar tanto. 

 

E o que raios, um blog de viagem tem a ver com tudo isso??

Poderia bancar a isentona, que convenhamos, seria muito, muito mais confortável.

Mas agora, do alto dos meus quase 55 anos, não acho que tenho muito a perder.

Política faz parte do nosso viver, do nosso respirar, do comer e de dormir, da saúde, nossa e dos outros. Sim.. dos outros… porque é muito fácil pensar só em você.

Posso dizer, que ao longo deste tempo, usando este espaço para trazer relatos sobre viagens, aprendi que devemos nos colocar.

Tenho certeza absoluta que somos privilegiados por podermos viajar, que é o luxo do luxo. Ninguém em condições de vulnerabilidade pode se dar a esse luxo.

Mas já que cheguei por aqui e decidi compartilhar minhas viagens, senti necessidade (e vontade) de dividir este pensamento com vocês também.

Isto estava engasgado em mim, desde o começo dessa tumultuada eleição. E também nestes últimos anos. 

Este processo de escrever me desengasga e de certa forma, me cura. 

E viajar (que digamos é muito similar com o próprio processo de viver), abriu muito meus olhares, minha visão de mundo, meu coração e minha cabeça. 

Não tem nada que te atinja mais do que ver outros lugares, comer outras comidas, ver diferentes culturas, experimentar outro modo de vida e conversar com pessoas mais diversas possíveis. 

Isso te dá grandeza de pensamento, de olhares e perspectivas diferentes. 

Te faz vestir a causa do seu próximo. 

Somos todos seres humanos, buscando viver bem. É só isso. 

Entender que não existe um lado ou outro. Estamos todos juntos aqui, viajando neste grande e fragilizado planeta.

E se nem isso consegue mudar seu modo de pensar, te trazer empatia, te dar quentinho no coração, te fazer sorrir por dentro, então meu querido… melhor rever seus conceitos.

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