A primeira (e provavelmente última) vez no Cine Drive In

Depois do confinamento imposto pelo COVID 19 , pra nós e para o mundo todo, claro, fomos praticar o primeiro desconfinamento depois de 6 meses em casa, testando um dos cines drive in aqui de São Paulo

Nossa rotina incrível resume-se atualmente a ir trabalhar todos os dias (eu) e o máximo que João e Júlia conseguem sair é para ir o mercado. 

Nosso lazer, que já era bastante restrito , ficou mais ainda restrito. Zero seria o número mais próximo do real atualmente. Bom… chega da sessão de lamúrias. 

Uma prática comum, iniciada nos Estados Unidos em 1933, que se popularizou mesmo nas décadas de 50~60. A coisa pegou mesmo aqui no Brasil, quase 10 anos depois, em torno de 1968, mas logo caíram no esquecimento. 

Claro que víamos cenas de filmes dessas épocas com as pessoas nos carros e com os baldes de pipoca, as roupas da época, aquele glamour todo e remetemos a  toda aquela atmosfera assistindo ao filme. #imaginação

Não vou inventar a roda e deixo aqui um link com os Cines Drive In disponíveis agora aqui em São Paulo 

Nós escolhemos a nossa estréia na modalidade pelo filme. Que coincidiu também com a proximidade de casa. 

Além de viajar, que é a prioridade de lazer, que eu já contei no post aí de cima, nossa segunda paixão são filmes. Somos adictos sim. Filmes e séries tomam muito do nosso tempo. Menos dos que gostaríamos e mais do que admitimos….

Escolhemos ver Durkink, a Wikipedia te dá uma ideia de todo o conceito do filme ), do irrepreensível Christopher Nolan, de 2017 e que atiçou muito a nossa curiosidade depois de assistir Darkest Hour   , há dois finais de semanas atrás. 

Como foi a nossa experiência

Já falei do filme escolhido e o local foi no Memorial da América Latina, bem pertinho de casa, no Belas Artes Drive-In , pertinho lá da mão do Niemeyer, para você se localizar. 

Segundo eles: “O Belas Artes Drive-in, instalado no Memorial da América Latina, continua com a exibição de filmes em que o público assiste à sessão dentro de seu próprio carro, respeitando o isolamento social. O espaço segue os protocolos rigorosos de saúde, com regras de distanciamento social, higiene, limpeza de ambientes, comunicação e monitoramento. Entre os cuidados obrigatórios, estão a distância mínima de 1,5 metro entre pessoas e carros em todos os ambientes, máximo de quatro ocupantes no carro, compra via internet e exigência do uso de máscaras.

Antes, passamos no Drive-Thru do McDonald’s para a farofada ser completa. 

Estávamos em 4. eu, João, Júlia e Voldemort. O máximo permitido de pessoas por carro. Pagamos R$ 71,50, acho que um dos mais baratos da catigoria de Drive-ins. R$ 65,00 o valor da entrada mais taxa. 

Super fácil de chegar, fica no portão 2 da rua Tagipuru. Até eu (conhecida pelas minhas perdidas colossais) cheguei fácil, sem errar a entrada. 

Chegamos cedo, perto das 18:20, o filme só começava às 19:00. 

Funcionários conferem o ticket e vão te direcionando até o telão. 

São mantidos os distanciamentos entre os carros de maneira que o carro que fica na fileira de trás ocupe o vão entre os dois carros da fileira anterior. (entendeu???)

Usamos os banheiros antes do início da sessão, a gente toca o pisca alerta, o funcionário vem até o carro e perguntamos sobre a ida ao banheiro. O funcionário indica o local. -“Siga a luz azul”. E fomos assim, aos pares, em direção à luz. Os sanitários são simples, e também contam com funcionários na porta para não ocorrer aglomeração dentro dos sanitários.

Começamos a comer as batatinhas, já levemente murchas mas esperamos o filme começar para atacar os lanches. Não… não comemos pipoca no cinema. A Júlia não come de jeito nenhum e nós dois só comemos pipoca feita em casa. As do cinema, além de carésimas, têm um gosto de manteiga que fica com a gente por uma semana…. sim…. frescuras….

Sintonizamos o rádio do carro, na estação 104,5 FM e vamos seguindo comendo e vendo o filme. Eu e João nos bancos da frente e Júlia e Volde atrás.

Antes de ir ao cinema, depois dos ingressos comprados na quarta-feira, discorremos sobre a futura experiência…. nosso carro é grande, velho, mas confortável. Imaginamos como seria a coisa… cogitamos se os  encostos de cabeça sairiam, para melhorar a visualização de quem estaria atrás, uma vez que o site já avisa que a visão nos bancos traseiros pode ser prejudicada.  A Júlia, com toda a grosseria que lhe é peculiar, solta um : “Tá… e o que a gente faz com a cabeça de vocês???? Corta????”

Lá pelos 30 minutos de filme rodado, lanches comidos, dou uma olhadinha para trás. 

Júlia e Volde com a cabeça encostada um no outro, no meio  do banco traseiro, tentando vislumbrar um pedaço da tela pelo vão dos dois bancos, pelo meio…. Deu tanta dó!!!! Sugiro ao João baixarmos os bancos, para ver se a coisa melhoraria…

Júlia e Volde dizem que melhorou deveras….

Os vidros estavam abertos pela metade. Um frio desgraçado nos bancos da frente. Eu e João vestimos as blusas. 

Roda mais um pedaço de filme e olho de novo… cada um dos dois praticando um tipo de contorcionismo diferente, tentando se ajeitar da melhor forma que conseguiam. 

Ficamos de novo condoídos e trocamos de lugar, afinal, nós hobbits entramos em qualquer lugar, mas o Volde tem o tamanho de um ser humano, então colocamos os dois nos bancos da frente e nós vamos para o banco traseiro. 

Começamos a tentar entender a prática da modalidade esportiva… Perna para um lado, cabeça para outro, tentamos os dois encostados, depois separados, perna em cima de outro, assim vai…

Não sei se pelo esforço físico, mas um calor da p… lá atrás….

Passamos as blusas para os dois da frente. 

Consegui me ajeitar num cantinho, bem lateral esquerda do carro, mas tinha que abstrair da faixa de insulfim  mais escuro da parte superior do vidro. João ficou com a lateral direita. 

Bom… não preciso dizer que toda aquela atmosfera intimista e sossegada que nós dois gostamos e primamos quando assistimos a um filme (até aqui em casa)  foi por água abaixo né…

Uma coisa que também não entendemos foi se o sistema se som do nosso carro que era ruim mesmo ou se a trilha sonora era feita daquela forma entrecortada….

1h45 mais ou menos de duração do filme e saímos com algumas observações. E uma dor nas costas do cão!!!!

#realidade

Nossas impressões

O filme???? Maravilhoso. Masss… somos fãs do Nolan… e de filmes históricos… então talvez não conte…

Já falei lá em cima que a gente gosta de cinema. Muito!!!!! Não somos intelectuais nem cinéfilos nível críticos de cinema chatuscos. A coisa rola aqui desde blockbusters até romance sessão da tarde. Qualquer coisa nos diverte, a bem da verdade. 

Mas sentimos falta da experiência do cinema:

Aquela atmosfera, o vermelho das paredes laterais acarpetadas, o ar condicionado congelante que nos faz levar blusa (no meu caso sempre levo uma echarpe, sinto muito frio no pescoço), o som que chacoalha as cadeiras, vindo de todas as direções, você distinguindo as caixas laterais, o sistema surround à toda, o escurinho, a poltrona macia, grande, reclinável.  Senti até falta dos óculos 3D, que tenho que colocar por cima dos óculos normais e que teimam em escorregar a cada lufada de ar.

Aqui fica a máxima… nunca diga nunca…

Mas a depender dessa experiência (que valeu pela experiência, claro), pensamos seriamente em reativar todo o aparato do home theater atualmente parado aqui em casa. 

E enquanto as coisas (e os cinemas) não voltam, nada vai ser melhor que a nossa poltrona retrátil aqui de casa…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *