O retorno

#crônicas

Ensaiando aqui um retorno (finalmente!!!) às publicações do blog, tentando a retomada aos poucos…

Eu sei que as coisas ainda não voltaram ao normal (e na verdade nunca mais irão voltar… Será????), mas é uma tentativa de retomada gradual à pretensa normalidade.

Vou contar um pouquinho do que rolou por aqui nesta interminável quarentena.

Sobre a vida mundana

João em home office desde 18 de março… eu entrei em home office no dia 23/03 e voltei ao trabalho normal em 17/04. Júlia voltou para casa em 02/04. Mas já contei aqui,  aqui  e aqui quando entrei em modo saco cheio total.

Júlia não tem perspectiva de volta às aulas presenciais pelo menos até o final deste ano. Rolaram algumas aulas à distância já e o projeto do TCC. 

João trabalha mais de 12 horas por dia. E não só ele, como a equipe toda já está estressada e entrando agora no processo de Burnout, novo jargão empresarial para o velho stress.

Ainda continuo em tratamento de fisioterapia… parece um negócio infinito…pobre da minha fisioterapeuta que ouve meus muxoxos há 8 meses… o meu médico indica tratamentos alternativos e ultra modernos, mas simplesmente o financeiro não dá conta de fazer tudo o que ele propõe, então vamos com bastante resiliência (e paciência da terapeuta) seguindo com o tratamento.

Uma grande vitória foi ter conseguido dar uma caminhada na rua, pela primeira vez, depois de 8 meses…. meu senso de “quarentena” portanto, remonta há 8 meses, desde a cirurgia. 

Eu sempre usei a expressão “odeio de paixão” academias, mas por incrível que pareça, não vejo a hora de poder voltar para a minha. 

Nada como a dor, a falta (ou a perspectiva distante) de melhoria de condições de saúde para a gente mudar conceitos ou paradigmas né….

Maaaasss… como diz a minha sábia fisioterapeuta (que meio vira uma terapeuta de vez em sempre), melhor esperar como acontece essa abertura das academias, para ver se não vem por aí, uma segunda onda…

Anyway, não posso fazer nada ainda, porque não tive alta total…..

Estranho (e triste) perceber que quando a gente trabalha, não tem tempo para mais nada… Uééeeeeeee… normal…. não deveria ser assim… não tive energia, tempo e disposição para as “outras coisas”… tentei  e brinquei sim, um pouquinho com pintura, tentei desenhar mais um pouquinho, maaaaasss… só bem pouquinho aos finais de semana. Aliás, essa brincadeira foi um lado “C”, que retomei, porque este tempinho extra dedicava quase que totalmente para a produção de conteúdo do blog, os Podcasts, postagens em redes sociais, etc…quantos lados mais será que eu descubro quando parar de trabalhar????

Um ou outro Podcast, uma ou outra série (simmmm… terminei Dark, da Netflix), mas nada muito memorável. 

Cara, de verdade, admiro (pago um pau danado) para aqueles/as que conseguem estudar, fazer cursos e o diabo a quatro… mas (desculpa esfarrapada), acordando às 05h00 da manhã todos os dias, sessões de fisioterapia um dia um dia não, terminando às 19h00 e manter a rotina doméstica não é muito fácil… principalmente nesta idade quase avançada. 

E olha que tenho a Júlia que me quebra uma árvore!!!! 

Pessoa com touca com desenhos azuis, óculos e máscara cirúrgica. Ao fundo, estante de aço com bins e caixas de papelão.

Paramentada.

Sobre o trabalho

Já falei, estou trabalhando normal desde 17 de abril. Passamos pelo Covidário (carinhosamente apelidado assim por nós da Unidade, onde os testes dos funcionários sintomáticos e suspeitos eram realizados na Unidade) e voltei para o atendimento na Farmácia em meados de meio de maio. 

Atendemos  cerca de 100 pessoas por dia, mas não deixa de ser um confinamento também. Saio de casa todos os dias, dirijo cerca de 80 km todos os dias, vejo a rua de dentro do carro e no serviço me movimento da farmácia, para o banheiro e para a cozinha. “Falo” com 100 pessoas todos os dias, mas isso acho que não pode ser considerada uma interação social.

As agendas de atendimento também já estão retornando à sua rotina.

As pessoas ficaram mais “conscientes”, mais complacentes???

Sinto em dizer que não.

Triste… mas a realidade… principalmente os pacientes que usam medicamentos controlados….

Vou compartilhar por aqui, (e realmente espero que ninguém veja isto), mas os “doentes”, ficaram mais “doentes”… penso que é aquela coisa da condição extrema… atendemos os mais fragilizados, os mais carentes e…. doentes… ninguém que está sendo atendido está são….

Muito menos nós, do outro lado, que estamos atendendo, a bem da verdade estamos plenamente sãos…. estamos esgotados e fragilizados, tanto (ou às vezes bem mais) que àqueles que estamos atendendo…

E aí, os dois lados (atendidos e atendentes), estressados, cansados e fragilizados, muitas vezes não resultam em boa coisa… embates, confrontos e bate-bocas. Têm pacientes que realmente agradecem, mas uma minoria (mas que já devem carregar muitos nãos por aí, nos agridem quando recebem um outro “não”).

É a condição humana, acredito. O instinto de sobrevivência sempre fala mais alto.  

Desde final de junho, voltaram as concessões de licenças prêmios e férias. Também estamos “contemplados” com escalas de revezamento para evitar a aglomeração.

Isso deve dar um pouco de alívio e respiro para nós. 

Sobre o  turismo em geral

Algumas parcas reportagens que andei lendo: 

-Sobre promoções de risco e a retomada de algumas soluções de hospedagem

https://www.infomoney.com.br/negocios/viagens-nacionais-embarque-em-setembro-e-promocoes-de-risco-as-tendencias-do-turismo-no-pos-pandemia/

https://www.infomoney.com.br/consumo/airbnb-registra-mais-de-1-milhao-de-reservas-pela-primeira-vez-desde-marco/

“A companhia já consegue, inclusive, identificar essas mudanças com o aumento do número de reservas em suas plataformas. Cerca de metade delas contemplava destinos a menos de 500 km do local de residência dos hóspedes, distância tipicamente percorrida de carro.

Os viajantes também têm procurado opções mais acessíveis. Grande parte das reservas feitas em 8 de julho foi para acomodações que custavam até US$ 100 por noite.”

-Selo de turismo responsável Ministério do Turismo

http://www.turismo.gov.br/seloresponsavel/

“O Ministério do Turismo lançou o selo Turismo Responsável, um programa que estabelece boas práticas de higienização para cada segmento do setor. O selo é um incentivo para que os consumidores se sintam seguros ao viajar e frequentar locais que cumpram protocolos específicos para a prevenção da Covid-19, posicionando o Brasil como um destino protegido e responsável. Para ter acesso ao selo, as empresas e guias de turismo precisam estar devidamente inscritos no Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos). Essa é a primeira etapa do Plano de Retomada do Turismo Brasileiro, coordenado pelo Ministério do Turismo, com o objetivo de diminuir os impactos da pandemia e preparar o setor para um retorno gradual às atividades.”

O que nós achamos ainda por aqui: mesmo com o selo, é aquela coisa… criaram o selo, mas na real, não vejo quem irá fiscalizar tudo isso… não saímos ainda de casa… nossa primeira incursão fora de casa prevista para setembro ainda, para outra cidade, é para querida  Munhoz, à trabalho. 

Não sabemos como isso acontecerá, o que iremos encontrar, como estarão as medidas de prevenção, como estarão as curvas da doença, etc, etc, etc….

Vamos acompanhar ao decorrer do mês de agosto, para ver como segue a evolução da doença, como estarão os leitos hospitalares e vamos atualizando por aqui…

Agora, agora, não vejo ainda a possibilidade de abertura do turismo sem inúmeras precauções… porque ainda vejo muita gente contraindo a doença, sim….

Iniciativas diferenciadas de Turismo 

Tour virtual temático e personalizado 

A dificuldade gera oportunidades. A criatividade de parte do setor de turismo mostra que essa frase vai além de um chavão empresarial. A covid-19 tornou proibitivo o ato de viajar – ao menos fisicamente. Que tal então viver o mundo sem sair de casa?”

Nesta reportagem, dois queridos (entre outros), a Clarissa Donda, com a versão digital do Dondeando por Londres leva famílias para viajar virtualmente pela Inglaterra e o Eder Rezende, morando em Barcelona há mais de três anos, “leva” turistas brasileiros para conhecer a Sagrada Família  e também pelo Park Güell  , entre outros tantos roteiros. 

 

Reinvenção dos blogs de viagem

-O grande mestre, Ricardo Freire, com o Viaje na Viagem, criou o Boletim semanal, um trabalho imenso, (que paciência!!!!) e que trabalho!!!!

Painel Coronavírus nos Destinos do Brasil

“Coronavírus e turismo: como está a situação da pandemia nos destinos turísticos brasileiros? Para ajudar você a tomar uma decisão bem-informada sobre quando viajar com segurança, o Viaje na Viagem agora está monitorando os números da pandemia em 100 lugares para viajar no Brasil.

Em cada um desses destinos apuramos o total acumulado de casos e óbitos, com destaque para o número de novos casos registrados a cada semana nas últimas 4 semanas.

Assim é mais fácil identificar quais destinos estão começando a controlar a pandemia, e em quais lugares o ciclo ainda está no começo.”

-O querido 360 Meridianos, sempre uma inspiração, lançou um programa bem legal: O Clube dos Grandes Viajantes, um Clube de Assinaturas 

 “O Clube de Assinaturas é uma forma de financiamento coletivo recorrente. Ou seja, você paga um valor por mês, e, além de ajudar o 360meridianos a permanecer vivo, receberá uma série de benefícios especiais”

Reforçaram o lado jornalístico, que corre solto na veia dos três blogueiros que comandam o blog, com matérias especiais (e incrivelmente detalhadas) sobre a COVID 19. 

-A querida Silvia Oliveira, com o seu Matraqueando , deu um enfoque maior para o lado “B” do blog, com as incríveis (e fáceis) receitas e também à parte de crônicas. 

Foi um alento (e tem sido) ver o seu posicionamente frente à tudo isto, manter o blog e como ela vive falando, sem perder a dignidade. 

-70 blogueiros (muita gente boa no meio deles), lançaram um e-book “Guia Solidário” 

Criamos um guia digital afetivo com mais de 130 destinos para que você descubra o Brasil, quando for possível voltar a viajar.

Com a sua doação, ajudaremos seis comunidades que trabalham com turismo comunitário na Amazônia e no Rio de Janeiro e que neste momento perderam quase toda sua renda vinda do turismo. A Favela Orgânica ajuda moradores das comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro, e a Turiarte trabalha com artesãs locais em Santarém, no Pará”

Escada com piso branco e fundo bege claro. No pé da escada, desenho com mato, cogumelos e gnomo. Dois degrus acima, outro desenho com livros, à direita e mais dois degraus acima, esboço de desenho em fundo roxo claro.

Minhas “gracinhas” foram aumentadas um pouquinho…

Perspectivas de futuro (Quem tem???) 

E nóis??? Como é que nóis fica nisso tudo???

Só como todo mundo… vendo ainda, muita gente adoecendo, muita gente ainda se infectando, muita gente ainda se protegendo, mas muita gente também, parecendo que vive num mundo paralelo….vivendo a vida como se nada estivesse acontecendo…

Se, e quando a coisa vai melhorar??

Claro que ninguém sabe….

Já falei e repito… sou da saúde, então meu olhar para algumas coisas são ainda bem técnicas…acredito que a essa altura do campeonato, muito pouca gente (tirando os terraplanistas de plantão) não acredita mais na ciência. 

Só nos resta…. esperar….

Desde que eu me ausentei por essas bandas, em junho, já se passaram dois meses…

Não consegui fazer/tocar e inventar nenhum projeto novo neste tempo… porque eu estava trabalhando??? Mera desculpa… não consegui ter energia para isso… ainda…

O que mudou??? Praticamente nada… e basicamente tudo….

E já que não tem jeito, vamos seguindo a vida…

Do jeito que der… para mim e para você!!!!

3 Comments on “O retorno

  1. Ola Marcia valeu pela menção do meu trabalho no post. Esperando que a coisa entre no novo normal rapidamente
    bjs
    Eder

  2. Pingback: Retrospecitva Agosto 2020 - Os caminhantes

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