Retrospectiva Março 2020

A retrospectiva deste mês não poderia ser diferente do resto do mundo…

Pandemia, COVID 19, quarentena e ficar em casa foram a tônica aqui em casa… e do resto do mundo…

Trabalhei normal até o dia 20 de março, quando um decreto da Prefeitura afastou os servidores com doenças crônicas (sou hipertensa há 6 anos)… esse negócio de ficar em casa já está se tornando frequente…confesso que tive momentos de dúvida… Não… infelizmente não foi o meu dever à função. Ou em prol dos pacientes atendidos. Poderia dizer que era… é mais bonito… mas não foi por isso. Já estou numa fase de questionar tudo… se realmente acabei escolhendo a profissão certa, se o que faço atualmente é relevante de alguma forma… ou para alguém faz a diferença…quem me conhece um pouquinho já sabe a resposta. 

Voltei de um longo período de afastamento por causa da cirurgia em novembro e ficar afastada de novo me pareceu um tanto quanto demais. Mas pesando os prós e contras, avaliei que seria melhor ficar em casa mesmo… hipertensa, pós cirurgia… só fiquei (de verdade) com pena dos meus colegas de trabalho lá no front. Porque parecia isso. Quer dizer, não sei como é um front ou estado de síto em guerra, mas deve ser parecido….

Vegetal verde picado junto com tomate e cebola numa vasilha branca

Cozinhar em casa foi uma das coisas que mais fiz. Essa é a Torta de Espinafre da Sinair.

Ogro aqui em casa em home office desde 18 de março. Júlia com aulas suspensas mais ou menos na mesma semana. Ela também teve reviravoltas na vida dela, mas deixo para ela contar (se ela quiser)…. #sqn

Esse tempo todo em casa já acabou me acostumando com as rotinas domésticas e as outras coisinhas que eu gosto de fazer. 

Quanto à quarentena, isolamento social, falta de convívio com as pessoas, de novo… feio confessar isso… mas não sentimos falta ABSOLUTAMENTE NENHUMA.

Brincamos que praticamos o isolamento social há 20 anos!!!! rsrsrsrs….

Credito isto ao fato de:

-no meu caso: atendo cerca de 100 pessoas por dia. No balcão. Alguns são extremamente gentis e educados… mas a maioria não… preocupados somente com si. E procurando a maneira mais fácil de “se curar”…. medicamentos… tome uma pílula e tudo ficará bem!! LÓGICO que não se pode generalizar. Mas para cada um que me dá liberdade, se pergunto o que está fazendo para cuidar da saúde (o básico): alimentação, exercício físico, a resposta de quase 99% das pessoas é: CLARO  que não!!!! De novo… também tomo medicamento. Também dependo deles. Mas não saio xingando quando não consigo de graça o meu medicamento. E nem ameaçando ou xingando o atendente com palavras de baixo calão quando não encontro o meu medicamento. 

-João: pega transporte público todos os dias. Trem, metrô e um pedaço a pé. Ele diz que vê um batalhão de gente todos os dias. E barulho. E gritaria….

Sobre pallet de madeira, duas almofadas azuis. Uma encostada na parede. Sobre outra, livro, caderno de capa estampada

Um dos posts de trabalho na quarentena. Mudando de ares dentro de casa.

Por isso, quando chegamos (ou estamos) em casa ficamos beeeeem quietinhos.

Definitivamente é uma coisa que nós comentamos sempre e não conseguimos entender quem diz não ter o que fazer, ficar de bobeira, vontade de sair bater perna. Com exceção da vontade de viajar, claro, que é outro patamar. 

Esta pandemia trouxe cancelamento de férias para mim, que sou profissional da saúde, mas no final acabei me afastando e por consequência cancelamento de todos os nossos planos para este mês que estaríamos viajando. Decepcionante. Ansiávamos por isso há dois anos, sem viajar….

Mas… isso é também para o resto do mundo….

No mais, eu segui rotina doméstica, afinal não temos ajudante há um tempo razoável e estabelecemos algumas “regras de convivência”, para não entrarmos nas estatísticas de divórcio recorde que acontecerão (segundo os memes) daqui para frente.

-João trabalha, quietinho, em um cômodo (que vai migrando de semana em semana), para eu e Jasmin não atrapalhar ele e vice versa;

-cada um segue com o seu horário de refeição. Temos “relógios” diferentes para isso. Mas… eventualmente se bate a fome no mesmo horário, comemos junto. Com exceção do jantar, como fazemos todos os dias, jantamos juntos. Sim. Faço uma comidinha fresca todos os dias. Se possível. Mas não entro em neura (e nem João) se isso não acontece. E pinta de vez em quando uma torta, um bolo….Não pedimos comida nenhuma vez desde então!!!!!

-sigo com a minha fisioterapia do joelho 3 vezes por semana; a fisioterapeuta funciona como aqueles viajantes de antigamente, que conta como está o mundo lá fora….rsrsrs….

-parcelo os afazeres físicos com os mentais. Não consigo ficar 8 horas escrevendo, é impossível para mim, assim como ficar lidando em pé por muito tempo. 

-não vejo televisão durante o dia. Não dá tempo. Não gosto. Me estressa e fica só falando em COVID, COVID, COVID…. dou uma atualizada pelo rádio pela manhã. 

O que aprendemos e percebemos neste meio mês de quarentena:

-que somos altamente privilegiados, por termos trabalho e estarmos empregados. No meu caso, ser servidor público, a essa altura foi e é um grande alívio;

-que o que importa, que é a saúde e o bem estar dos que queremos bem  é a única coisa importante neste mundo; 

-que não adianta entrar em pânico, ficar estressado e usar o dr. Google para saber as mais novas estatísticas a cada hora que passa. Isso é uma tremenda ilusão de “update” que não te acrescenta e só te empurra para baixo. É uma espiral negativa. 

-que por causa disso mesmo, se desconectar faz bem; de vez em quando pelo menos;

-que a casa que ficou grande depois da saída da Júlia e que xingávamos a cada final de semana de faxina foi um oásis de tranquilidade e aconchego. Não sentimos de forma nenhuma clausura, porque podemos circular pelos cômodos e termos um lugar ao sol sem precisar sair de casa para isso; vamos ter que repensar o minimalismo residencial para a aposentadoria; e também relembramos a cada dia que sim, somos prilegiados. Por termos um teto, por termos emprego, por podermos nos alimentar, por nossos entes queridos estarem protegidos…. tudo….

-que termos outras atividades fora do nosso trabalho normal (no meu caso o blog) não deixa a gente ficar entediado. E tem a manutenção da casa, tem outros cursos que ficaram parados, tem leituras paradas há tanto tempo. E tem também não fazer nada. Por conta da característica do meu trabalho atual, no horário de almoço como dentro do prédio e acabo não saindo nessa hora. Essa estadia em casa me possibilita até tomar sol!!!! Um privilégio que não tenho durante a semana. 

-que o tempo livre que ganhamos não trabalhando (no meu caso já tinha percebido isso na minha licença recente da cirurgia) nos proporciona outras possibilidades. 

À esquerda, capa de livro colorido. À direita, papel em branco com desenho em esboço

Tirando a ferrugem dos dedos para desenhar.

Resolvi tanta, mas tanta coisa que estava parada há anos!!!

E me fez me reencontrar. Comigo mesma!!!!! Não pegava num lápis para desenhar/pintar há mais de 20 anos!!!!! Como as pendengas maiores já haviam sido resolvidas, esse tempo agora, me possibilitou mais esse reencontro!!!!

E essas mudanças pequenas são o prenúncio de outras maiores que certamente se seguirão. Vamos perder muitas coisas mas ganharemos outras mais. 

Sem parecer clichê, mas sendo a mais clichê de todas, tudo isso tem (TEM) que ter servido para alguma coisa. O mundo não vai (E NÃO PODE) continuar como estava. 

NEM NÓS.  

Daqui há uns dias, a Júlia chega. Teoricamente, porque já era para ter chegado e não deu certo. Porque a cada dia que passa, aquela frasezinha “cada dia é um flash” é cada vez mais verdade. 

#ficaemcasa

O que rolou por aqui

Netflix

-Better Call Saul

-My neighbors The Yamadas

-Restaurants on the Edge

-This is where I leave you

-Spencer Confidential

-Self Made (Madam C. J. Walker)

Não ouvi Podcasts e só dei umas folheadas no livro da Rita Lee, que comecei em janeiro. Mas não consegui terminar.

One Comment on “Retrospectiva Março 2020

  1. Pingback: Retrospectiva Abril 2020 - Os caminhantes

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