Porque gostamos tanto de viajar

Pessoas com capacetes e coletes

#crônicas

É tão difícil às vezes explicar o óbvio mas como dizem, o óbvio é para poucos…

Muita gente, mas muita gente (mesmo!!!!!)  não entende essa nossa compulsão por viagens.

Até certo tempo, achamos que não deveríamos ser normais… até descobrirmos o mundo blog e encontrarmos famílias tão anormais (como acreditávamos ser). E então encontrando nossos pares (ainda que remotamente /ou virtualmente) achamos que somos normais dentro deste Universo viajante.

Atenção!!! Não consegui evitar alguns clichês odiosos neste texto.

Alguns motivos

Bote de borracha sobre rio caudaloso. A água forma ondas e a água bate sobre o bote, formando respingos grandes e molha as pessoas no interior do bote.  Pessoas com coletes e capacetes remando.

Rafting no Rio Itajaí Açu, no Vale Europeu em Santa Catarina

1-Valorizamos experiências e não coisas

*Alerta máximo de clichê*

Bens materiais são altamente passíveis de obsolência. Quando você compra um já quer outro no momento seguinte. Sempre tem uma coisa (veja… uma COISA)  mais nova, mais bonita, mais moderna saindo do forno no instante seguinte ao que você comprou aquele seu último sapato, seu último carro, seu último celular, sua última blusinha… o vício do consumismo e da compra é alimentado infinitamente por todos os lados.

2-Para termos “momentos de rei” por alguns períodos

Porque vivemos uma vida quase espartana para termos esses pequenos (ou às vezes grandiosos) momentos de extravagância. Que sejam por umas horas, uns dias, umas semanas, vivemos um momento ostentação. Veja mais textos sobre nossas economias, se você quiser saber mais sobre nossa filosofia viajante e como fazemos para economizar para podermos viajar mais

Por que não viver isso todos os dias?

Porque não é real. Mesmo porque acredito que quem faz disso rotina, todos os dias, deve perder a graça…

E porque não temos dinheiro e orçamento o suficiente para isso, ora!!!!

3-Para ampliar horizontes (de pensamentos e de padrões)

Para entender e sentir na pele que a nossa realidade ou o que nós valorizamos é muito relativo. O padrão de vida preconizado por aqueles que nos rodeiam não precisam ser o certo e/ou o mesmo para nós. Nada como uma mudança de ares para ser relembrado disto pela vida às vezes.E para isso, nada melhor que uma viagem.

Isso fica muito mais salientado nas nossas viagens na Natureza.

Conforto, luxo e ostentação ganham outras conotações.

Para ver, entender e valorizar a diversidade cultural, econômica e social. Isso expande a mente e aumenta nossos limites de pensamento.

 

Mata fechada, com árvores altas. Pessoas caminhando sobre leito de um rio em fila. As pessoas do fim da fila posam para a foto. No primeiro plano um homem carrega uma criança numa cadeira específica para transporte de crianças .

Parque Estadual de Intervales. Aproximadamente 2002.

 

4-Para mostrarmos aos filhos que o mundo é muito maior que nosso mundinho

Quando falamos em criação de filhos então, tudo isso que falamos aí em cima muda exponencialmente.

Não é a mãe que tem que ir para cozinha, o pai que vai dirigir, o filho que vai ficar no sofá enquanto todo mundo se mata… é a hora de distribuir tarefas. Que são também possíveis de serem transportados para a vida cotidiana.

Para que o filho não aprenda num banco de escola, mas em vivências, o quanto existe de diversidade no mundo. Que existem outras culturas, outras línguas, outras realidades e principalmente outras prioridades que infelizmente o mundinho “capitalista, médio burguês e padrão” não cabe em todo lugar ou para todos.

Graças a Deus!!!!!!

Leia aqui mais um pouquinho do que pensamos, nesta blogagem coletiva vintage “O que meu filho aprendeu viajando” 

5-Para conhecer melhor e estar com o outro

Para nos aproximarmos mais, nos conhecermos melhor.

Ou você nunca percebeu que conhece melhor alguém quando viaja com a pessoa?

É mais prático que idealizar um príncipe (princesa) e descobrir depois que contraiu (como uma doença) o matrimônio não é? Experimente viajar com a pretensa alma gêmea, para ver se essa convivência consegue perdurar mais que um final de semana… ou alguns dias….

Você consegue perceber os folgados, os mandões, os que sempre ajudam, os que sempre atrapalham….nos livramos nas viagens de uma certa “hierarquia” estabelecida nos padrões (sociedade/familiar).

Saímos às vezes com amigos e família. São momentos gostosos e divertidos.

Mas também são estressantes por vezes. Porque temos ainda algum melindre para mandar às favas… e aquilo vai virando mágoa e ressentimento. Tem gente que a gente simplesmente prefere cortar relações. Dá para visitar de vez em quando, se falar… mas se fez algum estrago em viagem é sumariamente cortado da lista de convidados. Assim como nós somos igualmente cortados, certamente pelas mesmas razões.

Mas em família, (tá… a gente se vê todos os dias), estamos envoltos com a massacrante rotina diária… acordar às 5h00, sair para trabalhar, chegar em casa à noite, fazer janta, rotinas domésticas. Só dá tempo de se jogar no sofá um pouco (ou navegar por alguns instantes na internet) e cama… não dá nem tempo de conversar um pouco. E assim passam-se dias, meses, anos….nas férias (e nas viagens), quando estamos fora deste rolo compressor, é quando conseguimos realmente parar, respirar um pouco e estar com o outro. Sem ter que fazer alguma coisa….

Lago com água de coloração escura formando um poço. Pedras claras e vegetação rasteira sobre as pedras, nos lados esquerdo e direito. Duas pessoas nadam no meio do poço.

Parque Nacional da Serra da Itabaiana- Itabaiana- Sergipe

6- Para criarmos um banco de memórias felizes

Não sou nem de longe a voz da experiência (já fiz 50 anos, mas isso talvez não queira dizer muita coisa). Passamos por um bocadinho de coisas já… assim como todos passam. Já travamos nossas batalhas, cheios de erros e acertos, como todo ser humano. E continuamos ainda cometendo, claro.

Mas me lembro como um filminho (*outro alerta de clichê ativado) de todos os belos e felizes  momentos que tivemos em viagens. Desde pequena, acampando com meus pais, com minhas irmãs, meus primos, meu tio que foi uma grande inspiração, que organizava as viagens para a família toda e enfiava 6 crianças no carro para passear ou da tia/madrinha que levava uma das sobrinhas juntos em esquema de revezamento a cada viagem.

Nos conhecemos, eu e o Ogro… viajando, claro… e construímos nossa vida (depois do básico das necessidades satisfeitas para nós), viajando….

E te digo.. não foi a casa, um móvel, um equipamento  ou um dos carros que tivemos que vamos lembrar com carinho e vamos levar como memória.

São todos esses pequenos (ou grandes) fragmentos de felicidade que fomos juntando ao longo do caminho é que vamos levar.

Colete os seus!!!!

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