A tão falada síndrome do ninho vazio

#crônicas

Os familiares e amigos mais próximos já souberam o ano passado que nossa rebenta foi para outras terras para cursar a faculdade.

Contei um pouco aqui ,  aqui  e aqui .

Apesar do blog ser público, não somos muito de espalhafatos de nossas empreitadas caseiras para o universo saber. E não ficamos tão à vontade com esta exposição. Nestas horas fico mais à vontade pelo pouco alcance do brog e page views…rsrs…

Não quis escrever tomada da emoção do momento, mas agora, depois de quase um ano, acho que já dá para falar, com mais serenidade e tranquilidade.

O turbilhão passou e posso contar um pouco como foi esta nossa nova fase.

É uma sensação de… vazio… de literalmente faltar um pedaço de você. É o que define a palavra síndrome… um conjunto de sinais e sintomas…

Aquela coisinha , que para algumas famílias vira um coisão (que não é o nosso caso. Já fomos classificados como uma família de hobbits), onipresente, onisciente e onipotente que te acompanhava como uma sombra de repente se desvanece.

Eu tinha a companhia tagarela (costumava perguntar se ela não cansava de falar o que era sempre acompanhado de um sonoro: “-NÃO!!!!!” e tatatatatata….) na ida e na volta do percurso para Guarulhos diariamente. Estamos falando de um percurso aproximado de 80 km diários… parlando

O carro de repente ficou silencioso, só a voz do locutor de rádio passou a me fazer companhia. Passei a conseguir ouvir uma música inteira, ou uma reportagem até o final… sem o dedinho nervoso mudar as estações…

A casa ficou quieta… o ar mais parado… sem o turbilhão (e olha que ela é das pessoas mais sossegadas que eu conheço)…

A casa, antes com sinais indubitáveis de ocupação em alguns lugares foram aos poucos, sem a gente perceber se transformando …a bagunça eterna de um quarto de adolescente e o “ninho” formado no canto preferido do futon de estimação com itens básicos de sobrevivência por longas horas, com livros, fones e carregadores de bateria permanecem intactos… sem uma bagunça, tudo no lugar…. o armário cheio de guloseimas, para levar para o lanche da escola se transformou no armário dos chás.

As comidas (os quitutes) diários, ok, de finais de semana (lasanhas, massas, carnes assadas, tortas e bolos) foram aos poucos se transformando nos grãos integrais, nas saladas e sopas e frutas. “Essa comida de vocês…” como ela costuma se referir às nossas novas refeições, com cara de nojo.

A quantidade de trabalho diminuiu… menos roupa para lavar e passar, menos cômodos para arrumar…

Aquela “obrigação” de fazer comida fresca todo dia (ela é taurina, explica?) foi cedendo aos poucos para o “vamos nos virar com o que tem”, o famoso prato francês restodontê.

Eu que abandonava os celular nos lugares mais diversos, esquecendo diversas vezes em casa passei a ficar grudada o tempo todo com o objeto (pode ser que ela ligue).

Passamos a acompanhar calendário acadêmico ávidos, em conjunto com sites buscadores de passagens aéreas mais baratas para marcar passagens de ida e volta para a criatura.

Os passeios e saídas, antes moldados para o que ela “precisava” ou tinha combinado com as amigas foram direcionadas para o que eu ou o Ogro gostaríamos/precisávamos fazer. Sentimos aqui o “peso da idade” rsrs.. saímos agora, realmente quando precisamos, quando pinta a necessidade. O bater perna fica agora restritos às viagens…shopping, lojas de rua, flanar pela cidade, não mais!!!

Óbvio que tem a parte chata disso tudo… a falta física, a ajuda que eu tinha nas tarefas domésticas, a falta de companhia, a falta da opinião e da mente rápida que ela tem, aquela fofoquinha básica que a gente quer fazer e também a parte da ginástica financeira que a gente teve que aprender a fazer, sustentando um pedaço de outra casa fora da nossa casa.

Aprendemos neste ano, algumas coisas:

-Que filho é projeto (tirando toda a parte do sentimentalismo:  o amor, o carinho, o cuidado, etc, etc, etc).

Crie e eduque para que ele seja independente, auto suficiente e capaz. Tem que saber se virar, nas coisas básicas de casa: limpar,lavar, passar, cozinhar, TUDO!!! Não preciso NEM comentar que tanto faz ser menino ou menina, pelamor né!!!

O chavão “Filho a gente cria para o mundo”, é de verdade, não é uma lenda urbana.

Que ele saiba se virar em transporte, em segurança, nas finanças, nas companhias.

Como eu falei uma vez, a saudade é outro departamento. Isso vai dar mais segurança para ele (e para você que fica)!!

-Imprescindível: Tenha um projeto de vida, tenha um trabalho, tenha uma ocupação, alguma coisa que ocupe a sua vida. E a sua mente.  Desnecessário dizer que só cuidar do binômio casa/marido não é objetivo de vida para ninguém.

E sabe de uma coisa que me surpreendeu?

Quase 20 anos depois, me peguei neste ano que passou, relembrando coisas que eu gostava de fazer, e tinha esquecido!!!! O tempo corrido, atropelado, com COISAS… para fazer foram deixando estas outras coisinhas no cantinho, adormecidas. E de modo nenhum é um muxoxo, em relação à criação de filhos. É porque uma coisa leva a outra, que leva a outra. Você me entende…

Estou encarando (ainda que isto ainda vá levar uns bons anos pela frente) como quase a finalização de um projeto. Ou, pelo menos o projeto está se encaminhando sozinho!! Assim espero… bom… é o que todos esperam mesmo não é?

E isso traz novas perspectivas!!

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2 Comments on “A tão falada síndrome do ninho vazio

  1. Já li alguns textos de vocês de quando vocês fizeram trilhas com sua filha ainda pequenina. Ler esse texto, agora com ela fora de casa, me faz pensar no futuro da minha família. Hoje, meu menino tem 5 anos e gostamos muito de fazer trilhas com ele…um dia passaremos pelo que vocês estão passando agora.
    O legal de ler esse texto é que me dá mais confiança para o que sempre penso: a gente tem que ter outros projetos rolando enquanto somos mães e pais. Para que o “sofrimento” em ter o ninho vazio não seja algo tão sofrível…rsrs.
    Desejo tudo de bom pra vocês nessa nova fase da vida!

    • Olá Keila!!!
      Muito obrigada pela leitura e pelo comentário!!
      Olha… e esses 18 anos passaram voando!!
      Doeu no começo e dói de vez em quando ainda, tanto para gente quanto para ela…a forma de minimizar, além das conversas via whatsapp, é trazer ela com intervalos mais regulares, cada vez que temos um feriado… mas às vezes não é possível…
      Mas… o importante é isso sabe.. o que minimiza é que ela está seguindo com a vida dela lá e nós aqui tocando os nossos projetos, acaba “distraindo” um pouquinho…rsrs…
      Vão projetando e construindo esse futuro de vocês que chega mais rápido do que nós imaginamos!!
      Um grande abraço!!!
      Marcia

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