Qualquer um pode trilhar

#crônicas

Quem nos conhece um pouquinho sabe já da nossa história….

As coisas evoluem naturalmente, vão se transformando, o que dava para fazer com certa facilidade aos poucos não fica assim tão fácil quanto antes. O que era certo passa a não ser tão certo também….

Estou falando aqui neste caso específico sobre o nosso modo de vida… as viagens… as trilhas e caminhadas.

Nos conhecemos viajando e trilhando… criamos a Júlia neste meio (como disseram já alguns amigos, ela não teve muita escolha). Conto um pouco mais sobre isso aqui . E lógico que depois de mais de 20 anos nessa vida, o vigor físico foi definhando… aparecem, como diz aquele velho dito popular, a idade do condor… com dor disso, com dor daquilo…

Nossas encomendas aos amigos que estão viajando começaram a incluir menos equipamentos e mais medicamentos…rsrs…

Mas isso é aceitar, é saber que o tempo passa para todos e saber (ou pelo menos esperar) que tudo isso se transforme em mais paciência, mais carinho, mais atenção e principalmente, todos somos diferentes e aceitar isso melhor e naturalmente.

Mas prá que essa ladainha chata toda?

Porque eu gosto de explicar o porquê de algumas coisas.

Pensando esses dias em que rumos nossas vidas tomaram (e estão tomando, em especial neste ano aqui em casa), percebi que esse nosso pequeno projeto no blog é um organismo vivo, um ser que vai mudando e claro, é um reflexo do que acontece/aconteceu nas nossas vidas.

Baldeávamos a Júlia pelas trilhas quando criança. Hoje é ela e o João que me esperam no topo das subidas mais íngremes. Falo que estou mais para “rastejante” do que para “caminhante”. E brinco, mas é verdade, viramos “experts em viagens com filhos, repito, por mais de 20 anos caminhando e trilhando por aí, mas daqui a pouco estaremos escrevendo em como fazer trilhas na terceira idade.

Somado a este fator da passagem do tempo, dois acontecimentos também fizeram nos refletir sobre as mudanças (blog, vida, prioridades… enfim… tudo).

Meu sobrinho, filho do irmão do João foi acometido de uma doença ainda em investigação e ficou internado na UTI por 5 meses. Tivemos prognósticos terríveis, por várias vezes. Devastação na família toda, mas com esforço, preocupação, dedicação e cuidados intensos tivemos um grande final feliz, onde hoje ele encontra-se em franca recuperação.

Em fevereiro, conhecemos um amigo do irmão do João, que havia reservado junto com a gente uma viagem desde o final do ano passado. Fomos os três de casa mais nossos amigos e “compadres” de todas viagens. A sintonia foi perfeita e aprendemos muito com este mais novo amigo. Foi a primeira experiência em trilha (enfiamos o rapaz em cada trilha…), a primeira cachoeira depois de mais de 40 anos… a emoção dele sentindo tudo isso não é possível descrever em palavras.

Assim como as coisas mais fantásticas que nos acontecem, não são possíveis de serem descritas.

Ah! Preciso contar que ele é deficiente visual. Mas assim como isso veio no final, é assim que percebemos sua presença… é a última coisa que lembramos, tal a sua independência e desembaraço.

É um aprendizado.

Cada encontro, cada conversa, o encontro com novas pessoas, cada viagem é uma lição de vida, e isso cada vez mais nos evidencia o que nos move…

Que você não precisa ser uma pessoa destemida, aventureira, corajosa para desvendar os mistérios insondáveis da natureza. Conhecer lugares inóspitos (tá bom, não precisa ser tão selvagem assim), lugares ainda rústicos, ter contato com gente simples, autêntica.

Fizemos isso com criança (s). E estamos agora com um novo perfil de caminhantes, os quais também vamos nos incluindo aos poucos. Parafraseando o chef Gusteau, de Ratatouille, (dai o ratinho lá em cima) que dizia que “qualquer um pode cozinhar“, nós dizemos que Qualquer um pode trilhar”. 

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