Retrospectiva 2016

#crônicas

Vou sair um pouquinho aqui do nosso contexto e infelizmente este ano, a retrospectiva não poderá ser das viagens que fizemos, caracterizando um blog de viagem. Não tenho o material suficiente para isso…

Minha retrospectiva é deste ano arrastado e interminável mas que rendeu bons aprendizados. E que foi uma viagem igualmente, de certa forma.

Um ano de sacrifícios

Foi o último ano de colégio da Júlia. Um ano que ela tinha que dar tudo de si para a primeira virada real e o começo da vida adulta dela, a tentativa de ingresso em uma Faculdade.

E para isso direcionamos nossa vida para este fim. Coroando um longo processo que foi este caminho até aqui, desde os 4 meses de idade, onde ela fazia a viagem diária comigo para Guarulhos.

Deixamos de sair de final de semana, de dar passadinhas em casas de parentes, de festinhas de aniversário, de restaurantes e cineminhas, de viagens curtas para priorizar estar em casa para estudar.

Aliado ao fator de queda de salário dada a mudança de emprego do João, tivemos que readequar as finanças para a fina arte dos gastos caberem dentro do orçamento.

Um ano de aprendizado

Tivemos que aprender ou reaprender muitas coisas.

Que apesar de ser o nosso modo de vida, as viagens estariam cortadas por ora.

Aprender a nos contentar com o simples e com o pouco.

Entender que para nos sentirmos felizes o lado consumismo teria que ser cortado. Não precisaríamos de uma bolsa nova, de um sapato ou roupa para aquele calorzinho interior de satisfação surgir e se desvanecer até a próxima onda consumista.

Que não precisávamos comer fora todo o final de semana para sentir a família unida, ou muito menos comer bem.

Aprendemos onde e como comprar mais com menos.

Aprendemos como nos divertir sem ter que estourar o orçamento e também alternativas para o lazer.

Um ano de mudança de paradigmas

Entendemos a duras penas (e farpas e suor…rsrs….) aquela regrinha básica e a aritmética elementar. Em todos os setores da nossa vida cotidiana:

-que não dá para gastar mais do que você ganha. Não existe milagre financeiro que faça multiplicar seu orçamento. Gaste o que você tem. Se você não tem não gaste.

-que não dá para achar que você vai emagrecer sem fazer nada. Você come a mais do que necessita, vai acumular. O negócio é tentar acumular de menos. Ou gastar mais. Aqui a regra do negócio de finanças é inversamente proporcional. Então, por mais odioso que seja (e o avanço da idade), a atividade física é uma necessidade, não um luxo.

 

Finalmente conseguimos entender que poderíamos abrir as nossas cabeças para outros horizontes.

Fomos educados e treinados para pensar dentro da caixa, só das nossas profissões  e por força das circunstâncias pensamos em abrir o leque de opções e mudanças de atividades. E só de pensar nas infinitas possibilidades que podem vir a acontecer, já sentimos o ar renovado.

Um ano para esquecer

Todo o processo de mudança é doloroso, claro.

Dói sair da sua área de conforto e da zona de familiaridade que você tem com algumas pessoas e lugares.

A máxima do quem não é visto não é lembrado foi evidente e deixou marcas.

Algumas promessas ou esperanças que surgiram no meio do caminho foram aos poucos se dissipando. Ou não, algumas foram cortadas abruptamente, um soco no estômago.

Um ano para lembrar

Vivenciamos esse ano, mais do que nunca daquela frase que anda por aí, sabe, que a verdadeira família é aquela que a gente escolhe.

Fomos acolhidos e tivemos preocupações e interesses por parte daqueles que pareciam mais improváveis. Incentivos, lembranças, mensagens de carinho e força vindas na hora mais necessária fizeram nosso verdadeiro alento. E nos deram força para continuar em frente.

Tivemos também a indicação que culminou com mais trabalho, mas grande satisfação em exercer mais um pouquinho do meu lado B com este trabalho no blog. Também já estava quase jogando a toalha aqui, mas aprendi que posso melhorar e seguir como uma grande alternativa ao meu trabalho formal.

Todo o esforço, não só do ano, do processo todo foi coroado enfim com o que eu falei lá em cima, o ingresso da Júlia na Faculdade.

E apesar de tudo o que nós passamos valeu por cada pedacinho, cada passagem.

Isso nos fez mais forte e mais unidos para enfrentar agora o que vem pela frente.

E que não é nada, absolutamente em nada diferente do que cada batalha que cada um trava dentro de si e com o mundo, todos os dias.

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