Larápios nível Hardy

#crônicas

Já contei em algumas ocasiões algumas peculiaridades da minha família.

Mas uma das mais bizarras são os ladrões que se dão mal com a gente.

Tirando um trágico episódio, que graças à Deus terminou bem, com minha irmã sendo sequestrada na porta de casa e alguns assaltos que o comércio da família sofreu quando éramos pequenas, temos alguns causos que são muito  engraçados.

Não sei de onde vem esta tradição, mas conto aqui alguns deles.

-um dos primeiros que lembro é da minha tia-madrinha, tinha que ser… ela ia fazer exame no dia seguinte e coletou dois litros de urina e colocou os litros dentro de uma sacola chique, de uma loja famosa (que eu não me lembro agora qual era) e para atravessar o farol, pousou a sacola brevemente para pegar não sei o que na bolsa. O gatuno se aproveitou do momento e levou a sacola embora. Não posso imaginar a decepção do infeliz….

-minha irmã teve a carteira furtada no metrô e ela não teve dúvida: percebeu logo em seguida, viu o ladrão, saiu correndo atrás dele e… alcançou o usurpador, descendo as escadas do outro lado. Pediu gentilmente a devolução, por causa dos documentos e disse que poderia levar o dinheiro. Imagina, uma garota de 1,50 m de altura enfrentando o larápio. Ele ficou tão desconcertado que devolveu a carteira inteira.

-tivemos um Uno Mille, lá pelos idos de 2000. O João deixava estacionado numa ruela perto do apartamento. Ele desceu para pegar o carro e ir trabalhar na manhã seguinte e cadê??? Isso não é novidade para ninguém, principalmente morando em São Paulo e toca fazer B.O, etc, etc…. Quando eu estava voltando para casa à tarde e que surpresa…olha o bonitinho na rua de baixo. Outra rua, pertinho de casa, mas não a mesma que ele deixava estacionado. Liguei apavorada para o João que também ficou intrigado e falou para eu sair de lá e ir para a delegacia. Cheguei lá com a Júlia, que ainda era bebê e um dos policiais muito solícito disse que me acompanharia até o carro e assim o fez. E assim o carro voltou são e salvo para casa. O ladrão  deve ter ficado com dó da gente, considerando o estado do veículo e depois de um rolê resolveu devolver o carro.

-Fomos fazer um bate e volta na praia e claro, levamos a farofa… No nosso caso a gente leva bentô, com bolinho de arroz, omelete, tempurá, comida japonesa, etc. Neste dia estávamos com meus pais e na hora que bateu a fome, voltávamos para o carro pegar as sacolinhas e a geladeira térmica. Cruzamos no caminho com três pessoas carregando justamente as sacolas que na hora julgamos ser coincidência, pois eram sacolas de mercado e pensamos que eram “vizinhos” aqui de casa. Lógico que não era. Os malandros haviam feito uma varredura no carro, e como só tinha roupa velha e as comidas resolveram afanar pelo menos o rango do dia. Tamanha decepção deve ter sido dar de cara com aquelas comidas ruins e esquisitas…

-Lembrei de tudo isso porque na última semana o João teve a bolsa aberta dentro do trem e só percebeu quando chegou no serviço. Apavorado pensou na carteira mas tudo o que o larápio conseguiu levar foi o café da manhã do João… Que devido a dieta rigorosa que ele segue consiste em aveia em grãos junto com semente de linhaça. Imagina a alegria da pessoa, que nem comida boa levou nessa…

-E teve um caso meu de argumentação com o ladrão que até hoje rende muitas risadas das colegas da Júlia (e muito ódio dela). Estava andando aqui perto de casa e um moço perguntou onde ficava o mercado. Eu comecei a explicar educadamente, gesticulando e indicando e ele prestando muita atenção na minha mão me disse para eu entregar a aliança. Eu fiquei parada, perplexa e ele começou a ficar irritado:

-”Ou você me dá a aliança ou entrega a bolsa toda!!!”

Eu estava mais atônita ainda e pensava, “Caramba, acabei de comprar a aliança (perdi a primeira)  e esse idiota vem me roubar” e aí que eu percebi que estava sendo assaltada e comecei a discutir com o moço:

-”Eu não acredito!!! Você está querendo me assaltar, aqui, assim??? Você pede uma informação e agora quer me roubar??? Não, espera aí, pode levar tudo, deixa só eu pegar meus documentos então… Péra um pouco moço.” e fui pegando os documentos.

Acho que ele pensou que eu poderia ter alguma coisa dentro da bolsa (sim, carrego um 38 na bolsa, aiaiai…) e saiu correndo com um -”Deixa prá lá!!!”

E espero de verdade, que todos os nossos ancestrais e nossos anjos da guarda continuem nos protegendo para render estórias bobas para gente contar depois.

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