Os filhos crescem… e voam…

#crônicas

 

Ouvi essa semana as agruras de um pai fresco, filho com 1 ano de idade e os perrengues que ele passou e teve que faltar ao trabalho por dois dias…e depois do desabafo tive que concordar com ele, que o que ele mais desejava era voltar ao trabalho “para descansar” na segunda-feira.

Parece um contra senso para quem ouve, mas sim, mães e pais de todo o planeta, concordem comigo que ter/cuidar de criança é o trabalho mais lindo mas igualmente o mais duro e penoso do mundo!!!! Cuidar, porque ter é fácil… quem tem babá 24 horas está fora dessa lista.

Nenhum plantão de 24 horas em qualquer serviço é comparado a cuidar de uma criança insone e doente por dias seguidos….

Isso acaba um dia?

Claro que sim!

A coisa começa a melhorar bem quando a imunidade da criança se fortalece… isso bem com seus seis ou sete anos…. até então a saga de médico de 15 em 15 dias, principalmente para aqueles que começaram a frequentar escolinha é uma rotina…

Credo!!! Tudo isso?

Bom, assim foi a minha experiência e de outras mães que já passaram desta fase…

Aí, paralelo a isso, você vê a sua casa se transformando…

Nada vai ficar mais perfeito e arrumado… evidências da existência da criança aparecem em todos os lugares… começam das fraldas e mamadeiras, passam para os brinquedos espalhados pela casa e terminam com as peças de roupa acompanhando o rastro dos adolescentes da entrada da casa até o quarto…

As fases se sucedem aos poucos… da dependência de dar comida na boca até o de fazer sozinha seu prato no self service. Ela disse esses dias que foi um choque e se sentiu abandonada quando teve que começar a fazer seu próprio prato.

Foi mal acostumada porque eu tinha que estar por perto para dormir… fiquei na dança entre a cama dela e a minha até quase os 08 anos de idade!!! Várias noites começadas em uma cama e terminada em outra… E não me arrependo. A criança vai crescer mimada. Sim, e daí? Mimada de carinho e dengo? A gente não sabe quanto tempo isso pode durar.

Quando chegamos nesta casa onde moramos, há 09 anos atrás, a Júlia ainda tinha dificuldade em subir e descer escadas, criada em apartamento até então. A primeira maravilha presenciada foi o caminhão de lixo passando. Não tenho ideia de como ela imaginava que o lixo saía de casa e se desintegrava.

E passamos pela fase onde o tapete da sala era a casa das bonecas com seus aposentos, o sofá sendo a ala hospitalar e todas bonecas enroladas com esparadrapo e gazes, com a descrição completa de cada acidente que elas haviam sofrido.

E eu reclamava com meu marido, tropeçando em tudo…”Mas que bagunça, olha só, não tem onde pôr o pé nessa casa” e ele dizia que era por um tempo, para eu ter paciência e de repente (sério, não consigo lembrar em que ano isso aconteceu, tipo cena de filme) as bonecas desapareceram, aquele monte de roupinhas, as casinhas, os carrinhos, os legos (tem coisa mais doída do que pisar naquela porcaria descalço?)  parecem que sofreram o efeito da sublimação.

Sentava com ela até a 4ª, 5ª série no máximo, para ajudar com as lições e as provas. Depois disso, não conseguia mais ajudar em nada, pelo contrário, acabava atrapalhando. E ela muito modestamente tirou de letra e se virou muito bem sozinha a partir de então.

De uma hora para outra, começaram  a surgir livros e mais livros e o fiel companheiro celular (se bem que ela é muito mais fiel aos primeiros amores, os livros).

As conversas no carro, no longo trajeto de volta de Guarulhos até em casa diariamente, 60 km ida e volta, passaram a ser dos episódios contados minunciosamente do Bob Esponja ou dos Padrinhos Mágicos para as questões existenciais com fundo Junguiano ou Freudiano. Ou discorrendo sobre todos os mitos  gregos, que conhece desde não sei quando.

E estou a escrever isso porque na verdade não interessa para ninguém, mas para marcar mais um rito de passagem.

Minha filha cresceu, independente se a vestibulanda vai passar por esta fase ou não, este final de ano marca uma transição.  Estamos praticamente em fase de luto, não porque alguém vai partir, mas porque as coisas vão mudar a partir do próximo ano.

E isso passa muito rápido gente!

Hoje vemos que mimamos em demasia em algumas partes talvez (muito poucas na verdade) e também fomos extremamente rígidos em outros (na grande maioria das vezes)… Vamos ver o resultado em alguns anos. Exatamente como foi com a gente…. e também como diz a música, como os nossos pais…

Aproveitem e curtam cada momento com seu filho, pois eles vão crescer e voar, assim também como fizemos.

E a vida segue seu curso.

 

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