Lado B

#crônicas

Tenho ouvido alguns comentários recentemente que me irritavam mas parei esses dias me perguntando por que as pessoas comentavam isso.
Os comentários irritantes giram em órbita de:
-“Nossa, mas você frequenta esses lugares?”-a saber: bares ou lanchonetes
-“Nossa, mas vocês gostam de passeios desse tipo também?”-a saber:castelos e ruínas
A vontade é de falar que não, somos ogros e andamos só no meio do mato para não assustar a humanidade e desestabilizar a Matrix.
Mas o convívio em sociedade ainda não permite esse tipo de resposta infelizmente.

Vou contar sobre minha vida e matar todo mundo de tédio…
Minha mãe tinha uma oficina de costura e meu pai uma farmacinha de bairro, quando éramos crianças.
Trabalhávamos desde criança nos revezando nos dois trabalhos. Fui overloquista da minha mãe durante muitos anos e sou uma balconista, ops, atendente bem razoável, pelos anos de balcão.
Fui fazer farmácia, para seguir o ofício e o comércio e meu pai, bem razoável colocou a farmácia a venda no ano em que me formei praticamente. Prestei concurso público e cá estou até o fim dos meus dias. Mas não estou reclamando de modo nenhum. Foi o que eu escolhi para minha vida.
Farmácia no final das contas nunca foi meu primeiro sonho. Pensei em fazer turismo, mas 30 anos atrás ainda era uma coisa vanguardista e minha mãe, muito pé no chão me perguntou como eu iria viver trabalhando com isso. Seis anos atras inventei essa história de blog.
E cata começar a tentar entender como funcionava essa bagaça. Me joguei no mundo de blog, wordpress, SEO, importação, hospedagem, rankeamento, ou seja GREGO para mim.
Me considero absolutamente normal, mediana, sou absolutamente burra para algumas coisas,  ante feitos extraordinários de algumas pessoas.
Mas está sendo o suficiente para mim, até este momento.
O lado técnico, só farmacêutico, se esvaiu há muito tempo. Trabalho registrada como farmacêutica, mas me especializei em outra área dentro da minha profissão que me afino mais.
O blog ainda é pequeno, é mais para um deleite pessoal, ainda que trabalhe para que cresça e é a minha futura ocupação quando aposentada. O  mundo deu voltas e no final me trouxe para fazer o que eu queria ter feito no começo da minha carreira.

Voltando ao começo do post, na minha irritação…

Não sei dizer se é porque “vendemos” de certa forma o estereótipo enquanto família ou mesmo como pessoas e se todos no fundo não fazem isso. Passamos uma imagem do que somos e como queremos ser vistos.
E também imagino que esse tipo de comentário está de certa forma arraigado dentro da experiência de cada indivíduo.
Quantas vezes você já teve que se reinventar e sair da zona de conforto?
Quantas vezes você pensou e agiu para experimentar algo novo?
Quantas vezes você pensou se esse modo de vida é o mais legal para você viver?

Quem sabe, o seu lado B traga uma diversão para sua vida, como trouxe para minha.

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *