Fazenda Capão Alto-Castro-PR

Esta fazenda foi uma grata surpresa na colônia de Castrolanda, em Castro, na região dos Campos Gerais do Paraná.

Um passeio perfeito para quem gosta de casarões antigos de fazenda, história e até exemplos de sítios arqueológicos.

A fascinante história do lugar, que passou das mãos carmelitas para a administração dos escravos, em um quilombo, até ser herdada por uma baronesa e quase virar um hotel fazenda está aqui:

http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=104

Compilo abaixo as principais partes:

Um pouco da história da Fazenda

…”Essas terras de sesmarias foram concedidas no início do século XVIII (1704) pelo rei de Portugal ao paulista Pedro Taques de Almeida, sendo adquiridas por carmelitas em 1751 por dois contos de réis.

Por muitos anos a Fazenda Capão Alto – após a retirada dos carmelitas para São Paulo e Rio de Janeiro – ficou sob a supervisão de um administrador até ser entregue, após breve arrendamento a terceiros, aos escravos que nela residiam e trabalhavam e que, entregues à própria sorte, organizaram uma república sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo. Neste quilombo, que se manteve em ordeiro e pacífico por muitos anos, os negros trabalhavam a terra e criavam gado, vendendo em Castro apenas o que lhes era necessário para viver e reservando o resto da produção para a Virgem e, demais, mantendo elevada reputação de honestidade em toda a região. 

Em 1864, os escravos do Capão Alto – na época, cerca de 300 – foram vendidos à firma Gavião, Ribeiro & Gavião, de São Paulo, o que motivou uma rebelião pelo fato de se considerarem livres e, “se escravos, somente de Nossa Senhora do Carmo”. Apesar de toda a reação, os escravos acabaram sendo levados para São Paulo. Em 1870, a Fazenda Capão Alto foi vendida por Frei Damasio de São Vicente Ferreira a Bonifácio José Baptista, abastado fazendeiro e político.

Em 1886 D. Pedro II conferiu a ele e a sua Herdada em 1905 por Evangelina Prates da Silva Baptista, neta dos barões e que se casou com Javert Madureira, médico, a Fazenda do Capão Alto, na década de 40, deste século, após rumoroso processo, foi ter às mãos de Vicente Fiorillo. Em 1979 a propriedade foi vendida à Cooperativa Castrolândia, cuja intenção, preliminarmente, foi a de restaurá-la, transformando-a em hotel-fazenda. 

Em 1983 a Coordenação do Patrimônio Cultural da Secretaria da Cultura e Esporte do Paraná, preocupada com a situação de abandono em que se encontrava a fazenda, estabeleceu contato com a Cooperativa Castrolândia a fim de encontrar um caminho para a restauração e reciclagem de uso da fazenda…”

Em 2001 foi considerada Patrimônio Cultural, adquirida pela família Petter, de Castro, que mantinha ainda a idéia de transformá-la em um hotel-fazenda.

Em outubro de 2014 ocorreu a abertura oficial do Espaço Cultural Fazenda Capão Alto.

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   Visitamos na Fazenda, a Exposição Rodas do Tempo, mostrando um pouco da história da época, nos diversos ambientes que compunham o enorme casarão.

.Entrada: receptivo e apresentação.

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A entrada e o começo da Exposição

Fomos recepcionados e conduzidos por uma senhora, espécie de zeladora, que foi nos acompanhando pela visita toda. Começamos pela “sala” do casarão, onde assinamos um livro de visitantes e colocamos propé, para preservação do piso original.

 

.Os Descobrimentos

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Aqui, painéis explicam a Lei das Sesmarias, trazida ao Brasil pela Coroa Portuguesa. A Fazenda Capão Alto foi uma das primeiras terras concedidas no Paraná.

.Fundação de Castro

A família de José de Goes e Morais vendeu a Fazenda para a Ordem dos Carmelitas, em 1751, iniciando um novo ciclo de atividades. Painéis mostram esta história.

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Um detalhe do teto e do estêncil feito manualmente

.O Casario

Nesta sala, os painéis contam a história do edifício principal, que foi insipirado nos casarões coloniais das fazendas de café de São Paulo e Rio de Janeiro, construído pelo Barão de Monte Carmelo.

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.O Tombamento

Aqui se conta a história de como a Fazenda passou por três proprietários diferentes, até 1981, quando ocorre seu tombamento.

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A sala de banho do casarão

.Antropológica Paranaense

Nesta sala, um painel explicativo mostra que povos de diversas origens compõem o povo brasileiro e paranaense, mas o paleoíndio é o ancestral comum de todos eles.

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A capela

.Capela: o Oratório

A capela apresenta decoração típica do final do século XIX e início do século XX. Bem interessante aqui a entrada diferenciada dos negros à capela, que não poderiam se deparar com os senhores e tinham que entrar por uma entrada escondida atrás do altar da capela.

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Aqui, atrás do oratório, a entrada separada

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Nessa portinha pequena, abaixo das janelas, a entrada para a capela

 

.Cozinha

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Têm janelas bem grandes e duplas, o que possibilitava o melhor aproveitamento da luz natural.

 

.Arqueologia na Fazenda

A equipe do professor Igor Chmyz- da Universidade Federal do Paraná esteve em campo entre novembro de 2014 e março de 2015, realizando inúmeras perfurações experimentais, para mapear o terreno e encontrar possíveis sítios arqueológicos, resultando na coleta de diversos materiais dos séculos XVIII e XIX.

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Podemos ver numa parte, uma mostra  com vestígios das ocupações carmelita, negra e de outros períodos.

Para nós, com a Júlia pretendendo cursar Arqueologia teve um sabor especial e mais um motivo para apreciar este lugar.

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.Trilhas na Fazenda

-Trilha dos Tropeiros-com 1.250 m

-Trilha do Cipó- com 730 m

-Trilha do Dique- com 1.200 m

Infelizmente não fizemos nenhuma trilha. Primeiro, que descobri só agora, que estou escrevendo este post. Segundo que era nosso último dia em Castro e estávamos voltando para Curitiba para podermos voltar para casa. Mas fica a dica para você quando visitar este belíssimo lugar e Patrimônio Cultural do Paraná.

Para quando você for:

-Site: www.fazendacapaoalto.com.br

Facebook

-Telefone: (42) 9981-6111/ (42) 3232-5856

-Endereço: Colônia Castrolanda- Castro- PR

-E-mail: capaoalto@koelpe.com.br

-Visitação: terça a domingos e feriados, das 09h00 às 18h00 h

-Ingressos: R$ 5,00 por pessoa/ R$ 3,00 para estudantes

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