Amazonas

#crônicas

 

Nasci, cresci e vivi durante 30 anos (até o meu casamento) num universo feminino.

Somos 4 filhas mais minha mãe em casa. Na família da minha mãe também era assim… 4 filhas mais a mãe. Eu tive uma menina e minha irmã  mais duas meninas…

Somos estranhas… nós, as filhas, mais minha mãe e minha tia-madrinha, que não casou e se dedicou a cuidar da família toda (primeiro meus avós e depois de toda sobrinhada) formamos, quando juntas, quase uma só pessoa.

E isso é para o bem e para o mal. Ônus e bônus.

Somos engraçadas… Sim, somos descendentes de japoneses, mas apesar de termos muito da tradição, também fugimos ao padrão. Não somos quietas. Não somos delicadas.Não somos de falar baixo. Não somos de esconder ou disfarçar nossos pensamentos e sentimentos. Não temos paciência. Nenhuma…

Todo estereótipo aplicado portanto para a figura feminina/oriental cai por terra quando as pessoas nos conhecem.

E de novo, isso para o bom e para o ruim.

Nunca tivemos essa coisa de separar o que era para homem e para mulher.

Quando fazíamos obra/reforma em casa, quem recebia o material e conferia éramos nós. Na obra também, quem fiscalizava e explicava para o pedreiro o que deveria ser feito éramos nós.

Quando íamos viajar, por causa do custo e pelo número de pessoas, acampávamos. Não tinha como ficar esperando homem para montar barraca. Éramos nós.

Quando chegava as férias, não tinha essa de ir descansar. Era hora de trabalhar mais e mais. Duas ajudavam no comércio do pai, duas ajudavam na oficina de costura da mãe.

Estou na geração intermediária daquelas mulheres que eram donas de casa e daquelas que se sacrificaram vencendo preconceitos da época para darem um futuro melhor para os filhos. Minha mãe foi uma delas. E tenho o maior orgulho disso.

E crescemos assim, com o pé no chão, na realidade, não esperando o príncipe encantado chegar e nos levar para um castelo para viver um conto de fadas.

E criamos nossas filhas assim. Para serem guerreiras, para serem fortes e lutarem por seus sonhos.

E quando as coisas no mundo ficam pesadas e tristes, podemos voltar sempre, por uma palavra de coragem, por um carinho, por um afago, por uma força, por um levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima (ainda que por telefone brevemente) para poder prosseguir na nossa vida.

E são de sutilezas, de delicadezas, de olhares entendedores e cúmplices que acho formidável fazer parte de uma família assim. E acho que toda mulher entende o que eu estou querendo dizer.

Afinal, pertencemos todas à mesma tribo de guerreiras amazonas que cada uma ainda carrega dentro de si.

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