Se você quer que não aconteça nada, então NADA vai acontecer

#crônicas

Começo aqui mais uma nova categoria no blog: Crônicas. Relatos básicos e simples do que acontece na minha/nossa vida cotidiana.

Hoje de manhã aconteceu uma coisa inesperada e que eu achei bem legal.

Fui ao mercado bem cedinho, sábado, 8:00 h da manhã, pensando se o lugar estaria aberto ou não, e para a minha sorte estava. Fiz minhas comprinhas básicas sonolenta ainda, o mercado vazio e eu me arrastando…

Quando estava na fila da padaria um sujeito alto, com uma roupa diferente e com toda a pinta de um inglês fazia seu pedido e deixava a fila logo em seguida.

No caixa, depois que coloquei meus poucos pertences na esteira, a moça pediu para eu aguardar porque o sistema havia falhado no cliente anterior e ela só iria passar o moço na frente. Era o inglês.

Ele passou e pagou a sua compra (que era um saquinho de pães) e estava puxando uma sacola para embalar e a moça pede então R$ 0,08 centavos para a sacola. Ele responde gentilmente que não, que tudo se pagava aqui.

Eu sorri para ele e falei que sim, infelizmente é assim aqui.

O suficiente para ele se alegrar e engatar um papo.

Me contou da sua vida em Londres, o que estava fazendo aqui, que tinha parentes no Japão, que veio para assistir os Jogos Olímpicos, que gostou muito daqui (o que eu perguntei, se era do mercado? E ele disse que sim, do mercado. Achei graça. Olha o merchandising gratuito), que estava indo embora neste final de semana.

E eu contei um pouquinho da minha vida, o que eu fazia, onde eu morava.

Foi um papo rápido, trocamos contatos, telefones e ele terminou o encontro esfuziante, pedindo um grande abraço (duas vezes) e dizendo que esperava minha ligação e nos despedimos. Me desejou um excelente resto de ano (?????)

Foi uma coisa besta, mas que me fez feliz pelo resto do dia e me pôs a refletir e confirmar algumas coisas:

– Ouvi uma coisa essa semana que me deixou simplesmente estarrecida e preocupada e pensativa, tudo ao mesmo tempo. Um grande amigo me comentou que tendo chegado a uma certa idade da vida (a propósito, um ano a mais somente que eu) já não tinha mais perspectivas de coisas novas a fazer na vida.

– Entendo que tem dias (ou meses, ou anos) em que você fica levemente deprimido/desgostoso ou simplesmente sem perspectiva.

-Que várias coincidências me levaram a ter essa experiência feliz hoje: só fui ao mercado porque fui levar o João para fazer exame médico e precisava comprar algo para o café da manhã para preparar para a Júlia porque ela tinha prova em Guarulhos no sábado e domingo e não poderia ir sem nada no estômago. Tudo absolutamente prosaico, doméstico e nada glamouroso. Chato na verdade. Ou inútil e desagradável como eu costumo dizer.

-Que se eu não estivesse fazendo aulas particulares de inglês, na verdade, continuado, porque começamos para ir para os Estados Unidos a primeira vez em 2012 e não paramos mais, justamente para podermos praticar, eu não poderia ter conversado com o moço.

-Que se eu ficasse de bico calado e cara fechada, perderia uma oportunidade de levar um papo bacana e conhecer um sujeito pelo menos cool.

Então, de novo… Se você não quer que nada aconteça na sua vida, NADA vai acontecer. Saia de casa, coloque o bom humor no rosto, esteja atento ao que acontece em sua volta, perceba o outro. E para fechar com um clichê, aquela… a vida não é feita de uma grande felicidade, mas de pequenos momentos como esses que eu vivi hoje.

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