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Roupas para caminhada- O que vestir e o sistema de camadas

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 Já comentei algumas vezes, em outros posts, mas a experiência que passamos na Decathlon do Morumbi, em junho passado  me “obrigou” a escrever este post sobre o que nós achamos e experimentamos com as roupas técnicas para caminhada.

            Quando a gente pensa em trilhas e caminhadas, logo começa o check list na cabeça né…mochila, bota, bastão, cantil, capa e assim vai…

            E aí colocar uma bermuda/shorts e uma camisetinha de malha tá tudo certo, certo? Só que não…

            Vamos a alguns problemas:

No calor

            Aquela gostosinha camiseta de malha de algodão, depois do primeiro quilômetro de subida, já está empapada de suor, aquilo vai escorrendo e aí a gente não sabe se está com calor ou se a sensação é piorada com aquela coisa molhada. A bermuda molhada, de tecido vai grudando na perna, vai apertando e o melhor de tudo é se para a sua caminhada você colocou aquela calça jeans velha amiga, surrada ou aquele moleton velho de corrida mesmo.

Na primeira chuva, na primeira poça d’água aquele troço começa a pesar e o elástico do moleton, que já não era mais assim  tãaao novo, começa a não aguentar o peso. E dá-lhe seção equilibrismo entre puxar a calça para cima ou andar. A calça jeans então…ah!! dilícia, o negócio gruda de um jeito, você não consegue dobrar o joelho direito na subida, mas tudo bem, daqui a pouco seca mesmo né?

No frio

     Vai viajar para um lugar frio? Super simples: vamos colocar um bando de roupa. As mulheres começam com uma meia fina e usa o mesmo para a parte de cima, depois se entope de moleton e coloca uma blusa de lã para arrematar.

     Os homens vão de ceroulas (alguém lembra do que se trata?) e mesma coisa, calça jeans velha ou um moleton dão bem conta do recado, afinal, frio é psicológico certo?

            Aí…no primeiro quilômetro… você começou a andar, está frio lá fora, mas o exercício faz você começar a suar… aquela super confortável meia calça vai molhando, que encontra a camada de moleton, que retém todo o suor dentro de você, que junta com o frio que está lá fora… resultado: você molhado e congelando…

            Ah… mas não vou comprar roupa nova só para me meter no meio do mato, puro desperdício!

            Confesso que no começo, quando começamos a trilhar por aí, no início da década de 90, não via muita gente com esse tipo de roupa e nem nós usávamos. O que existia na época, pelo menos aqui no Brasil, era o tecido tactel e no máximo aqueles agasalhos tipo Adidas, de helanca, que são horrorosos para andar. Tira o lado fashion gente!

            Veio então a possibilidade de adquirirmos este tipo de peça a um preço justo e razoável e fomos trocando nossas roupas aos poucos. Nossas e da Júlia, afinal, se você quer conforto, nada mais justo que oferecer isto ao seu filho também.

            Vamos falar um pouquinho de cada “camada” que a gente veste para proporcionar mais conforto no seu caminhar:

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Cachoeira do Tabuleiro-Conceição do Mato Dentro-MG

Camisetas tipo Dry Fit ®

            Copiando daqui:

         …“Porque essa camiseta é 2, 3, 4 vezes mais cara do que essa outra ? Três fatores básicos são levados em conta na hora da elaboração de um tecido:- Isolamento térmico e troca de ar – Absorção e transporte de umidade – Sensação de conforto na pele.   Estes buscam atingir os três fatores básicos apresentados, mas consideramos a poliamida melhor que o poliéster. O fio de poliamida tem a capacidade de absorver o suor em 4%, enquanto o poliéster não chega em 1% e se a camiseta de poliamida for feita com uma trama mais aberta (exemplo: crepe poliamida), o tecido irá “puxar” o suor do seu corpo e através dos buracos da trama irá elimina-lo mais facilmente.”….

          É o que tecnicamente explica o texto acima: as peças com o conceito Dry Fit possui o tecido com capacidade de tirar a umidade do corpo e transportá-lo para fora de tecido. “Dry fit” significa em inglês “Caimento seco”, justificando assim seu benefício.

            E é bem perceptível isso enquanto você caminha, passando a mão na camiseta ela está molhada para o lado de fora e vai evaporando. Tá, não é lá a coisa mais higiênica do planeta mas que é mais confortável é.

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Glaciar Perito Moreno- Patagônia Argentina

Entendendo o efeito cebola
A primeira camada-A segunda pele

             São aquelas camisetas bem grudadinhas, que aparentemente parecem uma camiseta de manga comprida mesmo, mas são preparadas tecnicamente: elas fazem a transferência da umidade, mesma coisa do Dry Fit, faz com que seu corpo se mantenha seco e ainda o isolamento térmico, retendo o calor produzido pelo corpo. É imprescindível em caminhadas no frio, como na Patagônia.

            Tem a versão mais “sequinha”, que usamos para caminhada mesmo e uma versão mais “peludinha” com uma forração interna que torna a sensação ao vestir mais agradável e para temperaturas mais baixas. Nós levamos essa com forração para dormir nos acampamentos, substituindo muito bem o pijama, porque além de ficar grudada no corpo, é bem mais leve e ocupa menos espaço na mochila.

A segunda camada- Aquecimento

            Esta camada do meio, tem a função principal de te aquecer. Aqui, todo mundo lembra do fleece, um tecido sintético, isolante e sintético. É hidrofóbico, retém menos de 1% do seu peso em água. É uma ótima alternativa a lã, principalmente para aqueles que são alérgicos ou sensíveis.

            Também não sou adepta aqui do moleton, ele é pesado e não dá a mobilidade que dá um fleece.

A terceira camada- Proteção

            A última camada, ou a mais externa tem que te proteger do frio, do vento, da chuva e da neve. Tem que ser impermeável, para que todos estes agentes citados não te incomodem e você permaneça seco e aquecido durante sua caminhada.

            Dependendo do tamanho do frio, existem jaquetas de vários tipos: aquelas com enchimento sintético, que é bem quente, aquelas com enchimento de plumas de ganso, que é mais compacta, fácil para transportar. Ainda está na nossa wish list a de plumas de ganso, para testarmos se protege do frio mesmo.

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Trilha de Salkantay- Peru

           Parece que eu falei somente para a parte de cima, mas a parte de baixo é praticamente a mesma coisa.

            Nosso maior frio enfrentado foi na Patagônia e no Peru, então a segunda pele e a calça de tactel por cima já eram o suficiente. Para a neve você deve adquirir aquelas calças forradas específicas para neve, porque têm o tecido externo mais resistente e com  a trama mais fechada. Pense também na hipótese de alugar a vestimenta no local. Essas peças normalmente são caras e se você não vai utilizar estas roupas com frequência, talvez não valha o investimento.

            E no calor? Aquelas calças de tactel com a perna removível com zíper são uma das melhores invenções de todos os tempos. Você tem duas peças numa só e portanto, já vê aqui que otimiza seu espaço na mochila.

            No geral, quando fazemos caminhadas sempre têm aquele matinho roçando o pé, ou não, é um mato alto mesmo e às vezes cortante. Fora os bichinhos…prefiro sempre ir de calça, dessas com perna removível. E se ficar muito quente arranco as pernas da calça, é super prático.

            Entendeu aqui o conceito do efeito cebola?

            Você vai “descascando” conforme a necessidade. Começa todo empacotado, mas conforme vai andando e esquentando, vai tirando as camadas. E o contrário, no final do dia, com o sol se pondo e você parando, é hora de voltar a colocar as outras camadas.

            No final das contas, assim que você puder e se for continuar a fazer caminhadas, vai por mim, invista um pouco nas roupas técnicas. Vai te trazer muito mais conforto e agilidade nas suas caminhadas. O custo benefício é excelente!

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2 Comments on “Roupas para caminhada- O que vestir e o sistema de camadas

  1. Olá Caminhantes! Muito bacana o texto!
    Acabamos de voltar de El Chalten e seus textos nos ajudaram bastante no planejamento da nossa viagem!

    Uma coisa que fizemos na Patagônia e nos ajudou foi utilizar roupas de ciclismo nas caminhadas nas trilhas: manguito, pernito, corta vendo (comprada na Decathlon: apenas 70g, e pouco volume – fica do tamanho de uma batata), etc. Eles ajudam bastante no “descascar” da cebola…

    Grande abraço!

    • Olá Paulo!!
      Muito obrigada pela leitura e pelo comentário!!
      Fico bem feliz quando os nossos posts ajudam os viajantes!!
      Procuro colocar o que nós temos dúvida e o que nós aprendemos com o tempo!
      Comprei um pernito esses dias também. Nem conhecia. Achei super prático, mas ainda não deu para testar…
      Senti falta de uma coisa assim numa caminhada que coloquei a segunda pele e uma bermuda por cima, e não conseguia tirar a bermuda, porque esquentou. Na trilha não parava de vir gente. O pernito teria resolvido o meu problema!
      Um grande abraço e boas caminhadas por aí!!!
      Marcia

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