El Chaltén- Laguna Torre

  Neste dia, o tempo nublado, com as nuvens encobrindo o Fitz Roy nos fez perceber que foi sábia a decisão de ter subido para ver a Laguna de Los Tres no dia anterior. Mais uma lição de todos os relatos que nós lemos: aproveite o momento, pois no minuto seguinte, o clima na Patagônia muda. 

            Saímos pelo nosso quintal, no Campamento Poincenot e logo uma placa indica o caminho para a Laguna Torre. Atingimos as Lagunas Madre e Hija, bem grandes e lindas. Pausa pequena para algumas fotos e não fosse o tempo nublado e o frio certamente o Ogro teria arriscado um mergulho.

Laguna Madre (ou Hija, não sei qual das duas)

            Continuamos andando, passando por bosques, campos floridos abertos e vendo o Fitz Roy quando as nuvens abriam, por outro ângulo, sempre majestoso.

indo

            Conforme eu ia andando, vinha aquela coisa de criança na cabeça: “tá chegando, tá chegando…” com o tempo, comecei a verbalizar, pois a gente andava, andava e nada de alcançar a Laguna Torre.

            Como o Thiago já havia feito esta trilha foi para ele que eu comecei a perguntar: “Thiago, falta muito??”. Passamos um bosque imenso, que só de ver a silhueta das pessoas lá embaixo naquelas árvores já sabíamos da distância que teríamos que percorrer.

lindos bosques no caminho

lindos bosques no caminho

            Passamos por um bosque bonito, mas com uma descida forte (lógico que eu pensei na volta, em sentido contrário, a subida seria forte). Também imaginei que tomamos a decisão correta, de estabelecer o acampamento no Poincenot e fazer a ida e volta até o Agostini, para ver a Laguna Torre. Seria bem mais cansativo armar acampamento no Poincenot, desmontar e chegar até o Di Agostini, montar acampamento de novo  e no dia seguinte voltar para El Chaltén.

            Depois que passamos por um rio caudaloso e verde, me arrastando, o Thiago falou que já estávamos bem perto e de fato estávamos mesmo.

            Neste dia não levamos lanche de trilha. Por sugestão do Thiago, levamos os alimentos liofilizados (que preciso escrever), os fogareiros e nosso lanche foi uma refeição mesmo.

     

Thiago comendo chocolate

Thiago comendo chocolate

Eu comendo granola com leite

Eu comendo granola com leite

           O cansaço e a fome eram tantos que cometemos dois sacrilégios, que foi alvo de gozação de todo mundo depois: o Thiago comeu chocolate que ele odeia e eu tomei uma granola com leite, (que eu também odeio) que achei fantástico.

o acesso para a Laguna Torre

o acesso para a Laguna Torre

          O acesso para a Laguna Torre é bem do lado do acampamento Di Agostini. A trilha é pertinho, pouca subida e logo você chega à Laguna. Vou falar uma coisa que podem me xingar, mas não é algo assim, UAU. Tá, é bonito, tem os pedaços de gelo flutuando, aquela paisagem dramática, mas, é preferível fazer primeiro a Laguna Torre e depois a Laguna de Los Tres. O impacto da Laguna de Los Tres tirou o brilho um pouquinho da Laguna Torre, pelo menos pra gente.

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     Chegamos, um pessoal de alguma excursão e resolvi me sentar junto com eles por lá, enquanto o João, a Lizanda  e o Thiago desciam para algumas fotos. Me contentei com a visão lá de cima mesmo.

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            Começamos a volta em seguida, e eu estava um pouco apreensiva por ter deixado as meninas no acampamento. O caminho da volta é o mesmo da ida, não tem muito como errar. Percebemos que tem um outro caminho para quem vem de El Chaltén, provavelmente quem faz um bate e volta da cidade para ver a Laguna Torre, como muita gente faz.

            Bom, nesta volta, encontramos um casal de chineses (a princípio pensamos que fossem), sempre alternando conosco o caminho, ora na frente, ora atrás. Num pedaço, depois do campo florido, enquanto o Thiago esperava a gente (ele sempre está na frente), ofereceram lanche e frutas para ele e assim foi por um tempo.

            Costumamos andar perto, mas em certas partes gostamos de ficar meio separados, cada um seguindo o seu próprio ritmo e com os seus próprios pensamentos. Não sei se é uma coisa do nosso grupo, mas funcionamos assim. Até entre nós três a coisa acontece desse jeito.

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            Pois num desses pedaços, o senhor chega a mim, esbaforido e começa “-Soli, Soli” e eu achando que tinha acontecido alguma coisa com o João, que estava atrás de mim e pergunta se El Chaltén é para aquele lado onde estávamos indo, num inglês bem parco, meu e dele (nisso, já estávamos perto das Lagunas Madre e Hija). Eu digo que não, que a entrada para El Chaltén tinha ficado lá para trás, que agora ele tinha que acessar por outro lado, depois das Lagunas. Ele desatou a correr, atrás da mulher dele, que estava mais para frente.

            Mais para frente, ele encontrou a Liz e o Thiago e começa a acenar feito um louco e eles também ficaram bem preocupados, achando que havia acontecido alguma coisa comigo e com o João. A pergunta é a mesma, e nesse meio tempo, alcançamos todos e pelo tardar da hora, conseguimos convencê-los que já estava muito tarde para conseguirem chegar em El Chaltén a salvo, certamente iriam se perder no meio da mata, no escuro e no frio que faziam, iam passar apertado.

            Decidimos em conjunto e ao mesmo tempo, que eles voltariam conosco para o acampamento e todos daríamos um jeito para alojarmos a todos e dividir também a comida que havia ainda. E entre “Soli, soli” que entendi depois de um tempo que queria dizer “sorry, sorry” e thank you, com um juntar de palmas, que eram sul coreanos, que estavam hospedados em  El Chaltén e faziam parte daquela excursão que encontramos na Laguna Torre e que haviam se perdido da turma na bifurcação que existia.

            Já havíamos chegado ao “quintal” do acampamento, com as pedrinhas brancas que marcam o caminho e tal encontramos um grupo “marchando” para El Chaltén. Digo marchando porque sabe aqueles caras com jeito mesmo de aventureiro, que sabem o que estão fazendo, que conhecem aquelas paradas como quintal¿  Pedimos que avisassem o resto da excursão que eles estavam no Acampamento e então eles sugerem que em vez de avisarem, por que não seguem com eles para Chaltén???

voltando

voltando

            O casal fica exultante e entre thank you e thank you, nos abraçamos efusivamente e eles se vão como velhos amigos…agradecidos por efetivamente nada, mas talvez pela intenção do que iríamos fazer, agradecidos por terem encontrado guias para a cidade, agradecidos por não terem que passar apuro na noite, sei lá. Mas foi uma experiência bem interessante.

            Banho de lencinho de novo, janta e sleeping bags!!!

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