Chapada Diamantina-Lençóis

           Estivemos 2 vezes, em 1996, solteiros, num grupo de amigos e em janeiro de 2008, com nossa filha, mais uma amiga e seu filho, da mesma idade da Julia.

            Uma das grandes caminhadas clássicas do Brasil, onde aliam-se paisagens exuberantes, a simplicidade e simpatia dos moradores, a boa infra estrutura local e a possibilidade de conhecer gente do mundo todo e ainda por cima trilheiros…

         A grande diferença, apesar de ser o mesmo local foram a sensação de novidade, era a primeira vez que havíamos planejado uma viagem fora das agências de ecoturismo que abundavam na época, então tudo foi bem mais difícil, gastamos muito com interurbanos e faxes (não sei se é assim que se escreve)… em 2008 o planejamento foi bem mais tranquilo, contratamos a agência local, a Explorer Brasil , com o Kikiu, uma simpatia de pessoa e o nosso guia local Aércio (um dos guias mais pacientes que já nos enfrentaram…) e passamos em janeiro de 2008, por locais diferentes dos que havíamos visitado da primeira vez.

O bravo guia Aércio

O bravo guia Aércio

            A viagem, em 1996, por sermos ainda solteiros (e duros) teve um sentido maior de exploração e tudo era feito de modo mais econômico. Cruzamos quilômetros e quilômetros a pé, esperando alguma carona e lógico que não aparecia nada…Mas também tudo era ainda um pouco mais vazio e não tinha um cunho comercial tão grande. Lembro bem do comentário que minha amiga fez, que o preço que ela estaria pagando para fazer a Chapada, daria para visitar a Disney… e era verdade. E uma coisa extremamente marcante foi o impacto ambiental e o desgaste sofrido por alguns locais. Passamos por locais lindos, verdejantes, abundantes de água em 1996 e tristemente vimos o mesmo lugar seco, sem vida, 12 anos depois. Vou partir o post em cidades, para não cansar tanto você amigo leitor…

 Na cidade de Lençóis:

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

-Morro do Pai Inácio: um dos principais cartões postais da Chapada. A maioria prefere fazer o passeio que é bem tranquilo, você chega ao pé do morro de carro e sobe cerca de 20~25 minutos até o topo. O é pôr do sol é lindo de lá e rende fotos maravilhosas.

Poço do Diabo

Poço do Diabo

-Poço do Diabo: na visita, conheça também o rio Mucugezinho que forma a cachoeira do Poço do Diabo e o seu poço é bem grande e fundo. Para dar uma idéia de novo, da estruturação do lugar, em 1996, bem mais rústico, o João pulou em queda livre lá de cima do poço.

Poço do Diabo

Poço do Diabo

Desta vez, encontramos até uma estrutura local com tirolesa ou rapel.

Poço do Sossego

Poço do Sossego

-Cachoeira do Sossego: visitamos nas duas vezes que fomos. Cansei muito da primeira vez e repetimos a dose na segunda. De Lençóis são 7 km, mas confesso que parece bem mais, porque a trilha toda percorre trechos com pedras, muitas pedras e não sou muito fã de caminhar sobre pedras.

No caminho para a Cachoeira do Sossego

No caminho para a Cachoeira do Sossego

Mas o visual compensa, a água cai numa queda de 10 metros, o poço é bem bonito, com águas bem frias e fundas.

-Ribeirão do Meio: um daqueles passeios pertinho e de meio dia (ou uma tarde), fica a 3,5 km do centro. Na primeira vez nós fomos só para brincar no tobogã natural e se refrescar no poço. Fica no mesmo caminho da Cachoeira do Sossego.

Cachoeira do Mosquito

Cachoeira do Mosquito

-a Cachoeira do Mosquito e a Serra das Paridas, cerca de 35 km de Lençóis, com o Renato Hayne, da agência Volta ao Parque  terminando com um farto almoço de casa de vó na Fazenda Os Impossíveis.  O nome da Cachoeira se refere aos pequenos diamantes que eram encontrados no local.

A piscina na Fazenda Os Impossíveis

A piscina na Fazenda Os Impossíveis

Depois da caminhada até a cachoeira, não deixe de se banhar numa deliciosa piscina de águas azuis clarinhas e mornas (como toda a água da Chapada) antes do almoço.

"Evolução" na Serra das Paridas

“Evolução” na Serra das Paridas

            Um pouquinho de história: … O Complexo Arqueológico Serra das Paridas foi descoberto por catadores de mangaba após incêndio florestal na Chapada Diamantina em 2005.A descoberta pré-histórica baiana foi a primeira no Brasil – e a segunda no mundo – a passar pelo processo de datação por Paleomagnetismo, através do qual está tendo seus pigmentos minerais e o campo magnético das rochas avaliados.

           

Visitamos a Serra das Paridas à tarde, depois do almoço e assistimos mais um pôr de sol lindo de lá. Este passeio precisa ser agendado.

     Achei este site bem legal, com todas informações necessárias para quando você for:

Guia Chapada Diamantina

     Outros posts bem legais são da minha amiga, Carla, do Expedição Andando por Aí, com informações bem legais da travessia do Vale do Pati, que ainda falta a gente fazer:

Expedição Andando por Aí 

            Um outro site só sobre Lençóis:

Vista da Pousada Cajueiro

Vista da Pousada Cajueiro

            Onde nós ficamos:

-Na primeira vez, ficamos numa pousada bem mequetrefe, com quartos coletivos e banheiros coletivos. Realmente não consigo lembrar do nome.

-Na segunda vez, ficamos Pousada Alto do Cajueiro , fica meio longe do centro, mas é bastante agradável e não é tão caro quanto as pousadas do centro. No site acima, existem uma infinidade de Pousadas, para todos os gostos e bolsos, até me assustei com a quantidade e diversidade.

            Onde nós comemos

-em Lençóis: Neco’s Bar: encomende com antecedência o especial da casa, com os pratos típicos, como godó de banana e cortado de palma, acompanhado de galinha e tucunaré. Infelizmente, não conseguimos estar na sexta-feira para comer o acarajé, quando é preparado. Pode ser que agora, mais comercial, ele abra exceção para fazer o acarajé em outros dias. Depois deste acarajé, todos os outros não têm comparação. Não temos fotos (acho que em 2008 não era moda tirarmos foto de comidas, infelizmente…).

Pintando as crianças na visita a Cachoeira do Mosquito

Pintando as crianças na visita a Cachoeira do Mosquito

     A cidade também já é um charme por si. Foi construída no auge dos tempos do garimpo na região. Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1973, a cidade ainda preserva o casario colonial do final do século XIX. Passear por suas ruelas de paralelepípedo já é um passeio delicioso!

 

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

7 Comments on “Chapada Diamantina-Lençóis

  1. Olá! Bem legal, o seu site… 🙂

    Só uma curiosidade: vocês estiveram na Chapada Diamantina em épocas semelhantes, nessas duas viagens? Digo isso porque tenho evitado viajar pra lá entre novembro e março, pois já aconteceu de pegar a Chapada seca algumas vezes, e o visual fica completamente diferente. A Chapada perde o viço, a atmosfera fica embaçada, não é a mesma coisa…

    Hoje prefiro ir entre o outono e o início da primavera. Pelas minhas últimas experiências, tenho percebido que a partir daí as chances de pegar uma Chapada verdinha e fresca começam a diminuir…

    Abs!

    • Oi Isa,
      Obrigada pela leitura e pelo seu comentário.
      A primeira vez, faz muuuito tempo, foi em outubro de 1996 e pegamos a Chapada verdejante e cheia de água.
      A segunda vez foi em janeiro de 2011, e mesmo sendo em épocas próximas (primavera e verão), achamos bem diferente.
      Lendo relatos de gente que foi mais recentemente ainda, percebo infelizmente e com dor no coração que o tão aclamado efeito estufa e a falta de águas pode estar acontecendo. Mesmo em 2011, passamos por lugares que passamos antes e vimos completamente seco e como você diz, sem viço nenhum. Acredito que entre o outono e o inverno, as águas voltem, assim como acontece com outros locais, que dividem entre duas estações, o período de secas e o período de chuvas e não em quatro estações como nós costumamos dividir.
      Um grande abraço!
      Marcia

  2. Sim, é isso mesmo, as estações são divididas basicamente em “períodos de chuva” e “períodos de seca”. O problema é que eu ainda não consegui definir com precisão o período ideal para a Chapada. Dizem que o período de chuvas na região se dá entre novembro e abril, mas minhas experiências ao longo desses 27 anos são tão diversificadas que eu simplesmente não consigo fechar um “parecer” sobre o assunto.

    Conheci a Chapada Diamantina em 1987, quando fui a Lençóis pela primeira vez, numa excursão do colégio. Isso foi no feriado de 2 de julho, e a Chapada estava verdíssima, com um nível de água ideal e fazendo um pouco de frio. Foi paixão à primeira vista.

    A primeira vez que fiz a trilha da Fumaça, por cima, foi em meados de jan/95. A Chapada estava até verde, mas pegamos a cachoeira com pouca água. Depois, já em Lençóis, ouvimos relatos de pessoas que foram à Fumaça logo em seguida à gente, e pegaram a cachoeira seca.

    Em fevereiro de 2012 voltei à Fumaça para fazer a trilha completa (por cima e por baixo) e a situação estava mais ou menos parecida: vegetação verde e pouca água. Mas tinha até mais água do que em 95, estava um pouco melhor. No entanto o guia só fechou o passeio depois que soube como andava a situação da queda d’água, porque havia ameaça de estar seca. Choveu um pouco nas vésperas de nossa trilha, os rios deram uma enchida, e então decidimos ir.

    Trilha da Fumacinha: fiz no início de dezembro de 2012. O volume de água estava bom. Estava num nível ideal, vamos dizer assim, porque às vezes a Fumacinha está com tanta água que não é possível entrar na Catedral (“catedral” é como o pessoal costuma chamar a parte do cânion onde a cachoeira deságua).

    Em uma outra oportunidade estive na Chapada num mês de outubro, fui para o Festival de Lençóis, isso deve ter uns três ou quatro anos. Foi a vez que peguei a Chapada mais quente e mais seca. Lençóis estava muito, muito quente. Não só pelo clima, mas também porque estavam ocorrendo queimadas em torno da cidade. Os rios estavam quase sem água, muitas cachoeiras secas. E a paisagem estava desoladora, pintada de verde acinzentado.

    Também já fui à Chapada em períodos de semana santa, e geralmente tem água e está verde. Às vezes tem água até demais, o que acaba complicando alguns passeios.

    Em novembro de 2012 houve uma tromba d’água no rio Lençóis que inundou a cidade. Em 1975 outra enchente histórica danificou a ponte, mas não sei em que período.

    Todos esses relatos são apenas para mostrar como essa variação deixa tudo meio confuso, e isso não vem de agora. E eu fico me perguntando se realmente tem a ver com Efeito Estufa ou com ciclos da natureza.

    Sempre achei difícil recomendar a melhor época para a Chapada, mesmo porque do lado oposto à seca estão as épocas de água em demasia, que às vezes inviabiliza ou dificulta alguns passeios.

    Minha impressão: no inverno, chove pouco, mas constante. São chuvas menos intensas, mas bem distribuídas. No verão as chuvas são mais espaçadas, e quando vêm são mais fortes, aumentando a ocorrência de trombas d’água. Já na primavera, a impressão que tenho é que as chuvas, além de espaçadas, são fracas. Então a vegetação não consegue se recuperar, como no verão.

    Posso até estar equivocada, mas minhas experiências pessoas apontam para esse quadro.

    Hoje tenho a tendência a indicar o período outono/inverno como melhor época de viagem, podendo a pessoa arriscar-se no verão e na primavera, evitando os meses de outubro e novembro, que me parecem os piores, em termos de falta d’água. Acho que fiquei traumatizada com minha experiência do último festival de inverno que prestigiei, rsrs.

    Abraços!

    • Olá Lili!!
      Muito obrigada pela sua leitura e pelo seu comentário!!
      São interações assim que fazem muito valer a pena a gente blogar.
      Infelizmente, como eu já falei, só estivemos duas vezes na Chapada Diamantina e as experiências diferentes nas duas oportunidades nos surpreenderam.
      Não sabia que havia o problema de muita água também.
      Muito obrigada mesmo pelo seu comentário e tenho certeza que ajudará muitas pessoas que queiram visitar esta terra abençoada!
      Um grande abraço!
      Marcia

  3. Pingback: Descobrindo o Brasil com crianças | Os caminhantes

  4. Gente , estamos em outubro, e tem chovido todos os dias. Durante a madrugada. O que é otimo, porque durante o dia o sol abre ou acontecem pequenas garoas e isso não tem atrapalhado os passeios. Ainda não ocorreram cheias do rio, mas tudo está verdinho e fresco!!!
    Muito bom.
    Conclusão: o clima é bem doido mesmo. O ideal é a pessoa checar o site Accuwheater ( previsao do tempo) e ligar de vespera para pousadas e comercios da cidade onde voce ficará hospedado. Isso dará uma maior segurança com relação ao tempo.
    Abr
    =D
    Tialle

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *